O que separa Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) do segundo turno das eleições presidenciais não são somente 15 dias — o calendário é, podemos arriscar dizer, o mínimo. Já hoje, terça-feira, um fator importantíssimo entra em cena: o começo no Senado das análises do fim do regime 6×1 nas jornadas dos trabalhadores. Ou seja, o fim de um modelo apontado como anacrônico, extenuante e improdutivo. A extinção dessa escala nas relações laborais no país é uma das principais bandeiras do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva. Neste segundo turno, tende a se tornar a mais eficaz ferramenta em busca de votos. Não só como retórica particular do petista, mas como contraponto ao que Flávio Bolsonaro e outros da extrema-direita defendem: o trabalhador que se vire para negociar com os patrões que modelo quer. Em resumo, os liberais desejam que os empregados, num cenário em que sindicatos e representações do gênero foram esvaziados e praticamente extintos, ponham à mesa salários e direitos que têm e se submetam ao risco de perder laços com a família, possibilidades de lazer e até o acesso à qualificação profissional ou aos estudos regulares.
Multidão
Não é apenas o interesse eleitoral de Lula, que é legítimo, que está em jogo. Há também o de Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Alcolumbre quer se manter no poder na próxima gestão, e isso é também legítimo. A presidência do Senado é um dos mais influentes cargos da República. É na Casa, aliás, que estarão pra lá e pra cá quase 40 bolsonaristas.
É Davi?
Davi Alcolumbre só pode apostar na vitória de Lula — afinal, Flávio Bolsonaro já está comprometido com a candidatura de um aliado de primeira hora, Rogério Marinho. Se Lula perder, o presidente atual sabe que não terá chance nenhuma de se preservar no cargo. Daí o fim da 6×1 é vital. Simples assim.
Liquidação
A Justiça Eleitoral contabilizou redução de 86% nas denúncias de ameaça à integridade do processo eleitoral em relação a 2022. É uma queda fenomenal. Bastou o bolsonarismo avançar no mapa de votos para que minguassem as queixas sobre urnas. Nem de código-fonte se falou. Nem as fake news sobre salas secretas, espalhadas por Jair Bolsonaro em 2022, foram reeditadas. Espantoso? Nem um pouco.
Cruz credo!
Há uma expressão popular que diz respeito àqueles e àquelas que costumam ter péssimos resultados com parcerias: “dedo podre”. O termo se refere a quem não sabe escolher companhias românticas. Se for transplantado para a política, “dedo podre” cabe direitinho ao ex-capitão da PM Wagner Sousa.
Time de futsal
Quem se aproximou de Wagner amargou derrota nas urnas. A começar pela esposa, Dayany Bittencourt, que perdeu para deputada federal. Soldado Noélio, também ambicionando vaga na Câmara, foi derrotado do mesmo jeito. A Ciro Gomes, de olho no Palácio da Abolição, resta carimbar passagem para Paris. Alcides Fernandes, pai do estrondoso sucesso eleitoral André Fernandes, passou longe do Senado, sobrando o mesmo para Roberto Cláudio.
Neno
Fica aqui uma lembrança de um bordão do saudoso e admirado jornalista Neno Cavalcante, dono de verve ácida, aguda e certeira: “Capitão Wagner, por que você é assim?”
Trinca
Dos três “cavaleiros do apocalipse” aliados de André Fernandes e candidatos à Assembleia Legislativa, dois foram eleitos. E muito bem eleitos. Tancredo dos Santos, vereador em Caucaia, arrumou 151.396 votos. Abreu Jr., que já foi assessor de André, ficou com 127.034. Só David Vasconcelos, que se diz instrutor e atleta de tiro esportivo, e está como suplente de Alcides Fernandes, ficou a ver navios.
