No Cine São Luiz, em 1982, com apenas 19 anos, eu assisti e fiquei muito impactado com as cenas futuristas para o ano 2019 na cidade de Los Angeles. Caos urbano e a cidade tomada pela tecnologia, carros voadores, máquinas, computadores nunca antes visto. Cientistas chineses, japoneses, egípcios fabricando e vendendo robôs de animais exóticos replicantes de todo gosto e tipo. Alguns replicantes que desenvolveram sentimentos humanos e voltaram à terra, eram de encher os olhos. Não apenas pelas suas belezas físicas, mas pela capacidade de se apaixonarem, como o casal interpretado por Rutger Hauer (Roy Batty) e Daryl Hannah (Pris).
Ao ver aquela cena de Zhora, a linda e replicante combatente vivida pela atriz Joanna Cassidy, banhar-se com os seios de fora, pensei: Será que no futuro próximo, haverá necessidade da criação de belas mulheres andróides? Na antevéspera de Natal, vi um vídeo e fiquei pensando sobre as questões de gênero e sexualidade. Na China, uma loja de shopping expondo à venda, “mulheres bonecas” ou “bonecas sexuais”. Em pé ou sentadas, em sua maioria loiras e brancas, seminuas de calcinhas e sutiãs, de biquínis, como tenistas e roupas futuristas, sendo observadas e apalpadas – as faces, os seios, coxas e genitálias para satisfazer a concupiscência dos homens. Será que vamos deixar de abraçar, beijar, de ter relações sexuais e procriar?
Tenho ouvido em conversas e de alunos e alunas: “Casar para ser escravo de mulher, eu não”, “Eu não quero mais namorar e nem casar”, “Homem dá muito trabalho” e o mais preocupante: “Se eu soubesse que criar filho dava tanto trabalho, não os teria tido” ou “Eu não quero ter filho, Deus me livre”. Pensando bem, a ciência, como sempre, vai dar um jeito. Quem sabe em laboratório decidir o sexo, cor e inteligência para satisfazer a demanda de mão de obra mais ou menos especializada e outros humanos para os serviços mais pesados como na Revolução Industrial foi idealizado por Frederick Taylor, o “Homem Boi”.
Quanto aos filhos, poderiam ser robôs com a aparência e inteligência idealizadas pelos pais e que pudessem desenvolver sentimentos, como no filosófico e triste filme: “Inteligência Artificial”, de Steven Spielberg. Sociólogos e juristas divergem sobre o mercado de robôs sexuais. Alguns avaliam sobre a importância como uso terapêutico, de elevação de bem estar físico e mental entre os usuários e de redução de ansiedade, e um de possível “alívio social para mulheres em sociedades com grande maioria de homens e talvez com uma possível redução de tráfico humano e escravidão sexual”.
Outros, contrariamente, argumentam que essas irrealistas entre os homens, podem desenvolver a concepção de “Submissão feminina, redução de empatia e dessensibilização da relação de violência sexual”. Pois é, bonecas sexuais com formas infantis já são proibidas na Austrália. Será o preço do estágio superior da civilidade? E agora condição humana?
