A desfaçatez está ali, de unha e dentes, desfilando sem a menor vergonha na cara: “sou inocente!” – sussurrou o descartado. “Inocente sou eu” – sem ligar para o cinismo com que alegava que a cueca não era sua. Oportunistas de plantão puxavam o saco do Ministro tremelicante, querendo mostrar-se machão, visivelmente afetado por uma cólica menstrual no cérebro. “Galera, que tal um rolê longe do nosso lupanar?” — “Só nós?” quis saber o boca fofa, conhecido por “Boca de Veludo” — pela voz mansa não seria. Todo mundo escutou, em alto e bom som, quando ele deu uma de machão, aprumando-se nas sapatilhas caras, deu um rodopio rápido e zombou: “Perdeu, Mané!” e a gangue entrou na van aplaudindo… “Betinho, você foi macho pra caramba!” e todos voltaram a conspirar. “Deixa estar, jacaré, quero ver quando a lagoa secar, pois sim!” — o bloco das velhas raposas rangia as presas de ódio. “Xandius está se havendo bem, com todas as vênias; o soldado nos paga!” “Galera, vejam já, só o meu está na reta e rumores estão assestados para o meu rabinho, apenas o meu…!” — “Tamo contigo, Xandrus!” e, às escondidas, riram do bobão que pegou corda. Jair já estava certo de fazer as malas para a performance do calvário. “Façam suas apostas, senhores…” Enquanto os Metralhas se irmanavam em convescotes nas alturas, rumo ao sol nascente, Mister Miagi, sem a mulher tagarela, fuxicava com as raposas e prometia-lhes galinheiros gordos. O velhote, dizem, encheu a cara de sakê na ida, durante e na volta. E o Fux, hein? Está melando o script. Como desculpa, alegou que quer voltar a conversar com o Pato Donald. “O Alex pegou corda demais…” Isso aqui tá parecendo casa de quenga governada por sacana… Vou baixar a bola. “Gonê, faz alguma coisa…!” “Tô fazendo… Não esqueçam de mim. Quero meu galinheiro também!” E, enquanto as vacas estavam indo para o brejo, Velvet’s Mouth se desculpava e o Penteadinho ressonava, cínico como nunca.
(Texto do livro Cachorradas Palacianas, da autoria de A. Capibaribe Neto)
