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Fortaleza 300: arquitetura que cresce com a cidade e com quem vive nela Biia Sales, arquiteta

Fortaleza chega aos seus 300 anos reafirmando algo que, para mim, é muito claro na prática da arquitetura:...
Foto: Natinho Rodrigues/Arquivo Opinião CE

Fortaleza chega aos seus 300 anos reafirmando algo que, para mim, é muito claro na prática da arquitetura: cidades são organismos vivos. Elas se expandem, se transformam, se adaptam. E, quando bem conduzidas, evoluem sem perder sua essência.

Ao longo da minha trajetória, tenho acompanhado de perto como a arquitetura da nossa cidade vem respondendo, cada vez melhor, às suas próprias características. Fortaleza não é uma cidade genérica. Ela tem sol intenso, ventos constantes, uma relação muito própria com o litoral e, principalmente, uma diversidade enorme de modos de viver.

É justamente nesse ponto que vejo um avanço importante. Os empreendimentos imobiliários mais recentes já não partem apenas de uma lógica de metragem ou padrão construtivo. Eles começam a considerar o cotidiano real das famílias: rotinas dinâmicas, novas configurações familiares, a valorização do tempo em casa e a necessidade de integração entre morar, trabalhar e conviver.

Projetar em Fortaleza, hoje, exige inteligência climática. Ventilação, aproveitamento da luz natural, sombreamento adequado e áreas comuns pensadas para o uso ao longo do dia deixaram de ser diferenciais, são premissas. E isso impacta diretamente na qualidade de vida.

Mas não é só sobre o que acontece dentro dos empreendimentos. Há um movimento, ainda em construção, é verdade, de maior responsabilidade com o entorno urbano. Calçadas mais ativas, integração com serviços, incentivo à convivência e uma leitura mais cuidadosa dos bairros começam a fazer parte das decisões de projeto.

Claro, ainda temos desafios. A cidade cresce rápido, e nem sempre esse crescimento vem acompanhado da infraestrutura necessária. Mas é inegável que existe, hoje, uma consciência maior por parte de construtoras, incorporadoras e profissionais de que arquitetura não é apenas edificar, é participar da construção da cidade.

Celebrar os 300 anos de Fortaleza é, para mim, reconhecer esse caminho. Uma cidade que aprende com o seu clima, respeita suas pessoas e começa a projetar pensando no tempo. Não só no agora, mas no que permanece.

Porque, no fim, boa arquitetura é isso: aquela que acompanha a vida e faz sentido por muitos anos. Feliz aniversário, Terra da Luz.