A declaração que a senhora e o senhor leitores vão ler a seguir é da assessora de Flávio Bolsonaro (PL) para assuntos econômicos. A senhora se chama Daniella Marques e foi presidenta da Caixa Econômica Federal na gestão de Jair Bolsonaro: “Milei é um ótimo exemplo”, disse em evento para empresários em São Paulo, apontando o mal-ajambrado presidente argentino como referência em “voltar (o Brasil) a ter capacidade de investimento e redução de burocracia e impostos”. Pois bem: o noticiário publicou nesta semana que, sob Javier Milei, o país vizinho fechou 31,3 mil empresas. A terra do tango, do vinho e do churrasco virou um enorme cemitério de marcas e empregos. O número é aterrador e representa 6,1% das companhias registradas lá. Mais: o terremoto de números extinguiu, no curtíssimo prazo de 31 meses, 245 mil postos formais de trabalho. De 18 segmentos pesquisados, 14 amargaram queda no quantitativo de empresas, o que prejudicou 23 das 24 províncias argentinas — isso chega ao índice de 95,83%. Enquanto se eliminam ocupações, vai avançando o contingente de trabalhadores autônomos, como motoristas de aplicativos e entregadores, os quais não têm proteções legais, que cresceu 169 mil no período de novembro de 2023 a junho de 2024. É muito legítimo, portanto, que não se queira por aqui seguir esse “exemplo” que bolsonaristas invejam.
Por uma cabeza
O informe Monitor Mensal de Empresas, publicação do Fundar, centro de pesquisas da Argentina, não poderia ser mais sombrio: “Se observarmos os dados do governo Milei, vemos que, durante essa gestão, o número de empresas caiu tanto quanto na pandemia”. O que a covid-19 destroçou na economia argentina a gestão atual, subalterna ao prepotente e desastrado governo de Donald Trump (EUA), cuidou de reproduzir. A sangue-frio.
Lá e cá
O entusiasmo com que Flávio Bolsonaro e equipe veem o modelo argentino, planejando transplantá-lo para o Brasil, é recíproco. Milei até já veio xingar o presidente Lula. E disse na 81ª Assembleia da ONU, nesta semana, em Nova York, crer que “somente Flávio pode parar Lula e trazer uma verdadeira mudança para todos os brasileiros. Confio plenamente em Flávio Bolsonaro”. Tá é bem, né?
Fineza
Para não deixar Javier Milei falando sozinho, o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência da República) mandou essa na rede social X: “Não, obrigado, @JMilei. Ninguém quer comer carne de burro por aqui. Você é uma vergonha para a América Latina e para o bravo povo argentino!” Foi gentil o Boulos.
Tremei!
Quem curte o escurinho do cinema — e, óbvio, as formas que a arte tem para clarear ideias — tem duas opções chegando em Fortaleza. A primeira é o Sinistro Fest, evento que segue para a quinta edição. Será todo no Cineteatro São Luiz, com foco em produções de terror, suspense e estilos afins. A programação começa no próximo dia 30, seguindo até 3 de outubro.
Raízes
A outra é o Infinita Festival de Cinemas Negros e Indígenas, na Vila das Artes — Escola de Música e no Centro Cultural Casa Barão de Camocim, de 6 a 11 de outubro. Haverá programações formativa e de exibição de produções. Mais informações em https://infinitafestival.com/
Quem avisa amigo é
Segunda-feira (28) é o último dia para o registro, no Sistema de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) do TSE, das sondagens de opinião realizadas em data anterior ao dia das eleições, 4 de outubro. Os institutos que não fizerem isso não poderão tornar públicos dados apurados.
Antes tarde do que nunca
Não chegou com a força merecida ao Ceará a discussão, necessária e inadiável, sobre o vício em jogos on-line e o endividamento das famílias. A campanha do presidente Lula conseguiu captar os sinais negativos da jogatina e adotou uma ação crítica a essa atividade daninha. Ao ponto de proibir as apostas eletrônicas.
Vermelho, 13
Deve-se saudar a proibição das bets, independentemente de quando foi implantada, se ontem, se tardiamente, se fora do tempo certo. Não pela conservadora essência que possa ter, mas pela preservação da economia e da integridade dos bens dos trabalhadores e das famílias.
