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Entre o passado e o presente

Não sou de fazer comparações entre o presente e o passado, embora saiba que povo sem memória vira...
Foto: Reprodução/FIFA

Não sou de fazer comparações entre o presente e o passado, embora saiba que povo sem memória vira fantasma de si mesmo. O português Francisco André Rêdes migrou para o Brasil, se instalou no Rio de Janeiro e gerou uma família apaixonada por futebol.

Meu pai, Humberto Redes, foi técnico do Brasília da segunda divisão do Rio de Janeiro, meu irmão mais velho, Reinaldo, jogou como profissional no Bonsucesso, Humberto no Botafogo e no Flamengo e eu no Fortaleza, Ceará e Botafogo.

Herdei do meu pai a admiração pelo futebol argentino. Lembro-me da sua voz recitando como se fosse uma poesia o ataque do River Plate: Munoz, Moreno, Pederneira, Labruna e Lostau. Segundo o velho, nas décadas de 30 e 40 era impossível ganhar deles.

Um maior intercâmbio cultural com a Europa levou os argentinos a jogar no sistema WM enquanto no Brasil ainda se utilizava o sistema clássico. O WM tinha uma melhor distribuição tática com a concentração de quatro jogadores no meio do campo.

Tal estratégia assegurava aos argentinos uma maior posse de bola. Aliás, passado quase um século, é o que veremos no próximo domingo na decisão do campeonato mundial entre a Argentina e Espanha. Ambos valorizam a posse da bola.   

A bola! Com essa forma arredondada girando em torno do seu próprio eixo. Vi certa feita Ronaldo Angelim jogando pelo Flamengo contra o Grêmio, fazendo um gol de cabeça numa final de campeonato brasileiro. Lindo! A bola entrou e ficou girando dentro das redes.

Diferente da semifinal da Argentina contra a Inglaterra, onde a falta de lealdade imperou, a final promete um futebol da mais alta qualidade. A troca de passes entre os jogadores argentinos fica expressa no Toco E Me Voy. Os espanhóis no Tic Tac.

Não existe favorito! Aliás, existe. Messi é o nome dele. Os argentinos jogam por dentro. Seus adversários fecharam a entrada da área. Nos três últimos jogos, Messi foi para a ponta direita e dos seus pés saíram os passes que levaram a Argentina à final. Se meu velho fosse vivo, diria: Messi é gênio!