Sempre me surpreendo com a capacidade da força de trabalho agrícola e com o potencial da terra, da natureza. Sabemos que cada pedacinho de chão tem suas aptidões naturais, as heranças agregadas pela localização geográfica, clima, tipo de solo e os demais fatores que constituem o ecossistema.
Ainda assim, surgem surpresas, produções inesperadas e encantadoras. Em Tabuleiro do Norte, na região Jaguaribana, um produtor rural investiu no cultivo de figueiras. A história do seu Antônio é de batalha, força e empreendedorismo rural. Ele é japonês, radicalizado no Brasil, e chegou ao Ceará com 87 anos trazendo a família e um arrojado projeto de cultivo na bagagem.
Hoje, com 90 anos, seu Antônio se prepara para colher a primeira safra estimada em 100 toneladas de figo. Até agosto, os cearenses vão estar saboreando essa fruta, tradicionalmente produzida no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo, e que agora brota também em solo sertanejo. O figo não faz parte do cardápio de frutas que costumamos consumir no Ceará.
Talvez por isso sua oferta seja reduzida e com custo elevado. Agora, com a produção local, o cenário se inverte. Certamente, a fruta – que é uma das primeiras cultivadas pelo homem – vai conquistar o paladar cearense. O figo é ideal para compotas e doces e se destaca pela crocância do sabor. Que bom que agronegócio continua evoluindo, crescendo, buscando novos espaços, se reinventando.
Parceira entre homem e natureza. Quando o produtor sabe “ler” a terra e respeitar os limites impostos por ela, o resultado é sempre positivo e saboroso.
