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De olho na Copa do Mundo

Quando o mundo se curvava diante do futebol brasileiro, formar a seleção era osso. Imprensa e Federações brigando pelos seus estados. A maioria é de cariocas e paulistas. De contra peso, dois mineiros, dois gaúchos e aqui ou acolá um ou dois convocados de outro estado.

O país inteiro queria saber a lista dos convocados e o assunto era motivo de discussão. Com o passar do tempo, fomos perdendo essa liderança no futebol mundial e, nos últimos vinte anos, nossos clubes ou seleções não ganharam nenhum título internacional.

Pelo contrário! Tivemos resultados desastrosos. Os sete a um que tomamos dentro de casa da Alemanha na semifinal da Copa do Mundo de 2014 revelaram claramente a falta de visão da Confederação – CBF – e o atraso técnico e tático por qual passava o futebol brasileiro.

Na verdade, caro leitor, as conquistas internacionais de nossas seleções e clubes sempre estiveram associadas às genialidades de grandes jogadores. Eles encantaram o mundo com a compreensão do jogo e a sinuosidade do corpo em movimento, iludindo o adversário.

O driblar, por exemplo, não se aprende em nenhuma escola. Essa turma que se sagrou campeã e encantou o mundo aprendeu a jogar nas ruas, nos campos de várzea, nas praias ou em qualquer espaço desses oito milhões de quilômetros quadrados que compõem o Brasil.

Sem ninguém para orientar, a garotada estimulava o talento e a criatividade. Os craques nasciam assim. Hoje é diferente. A sistematização do futebol toma conta das equipes e, se o técnico de base não tiver uma boa formação, queima etapas no desenvolvimento do jogador.

O talento e a criatividade não podem ficar em segundo plano sob pena de prejudicarmos o surgimento de jogadores fora de série. O drible deve ser estimulado e estar associado aos outros fundamentos, bem como a compreensão de posição e funções dentro do campo.

É voz comum que técnicos estrangeiros têm melhor formação. A contratação do técnico italiano Carlos Ancelotti visa resgatar a história do futebol brasileiro e, a julgar pelas suas convocações, valorizar o jogador que dribla. A discussão de quem deveria ou não ser convocado será um sintoma da volta desse amor.