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Sonhos, melhor não tê-los! Mas, se não os temos, como sabê-los?

Sonhos estranhos, sempre os tive desde criança pequena na Fazenda Mutuca. Os sonhos fascinam não só estudiosos como...
Sonhos estranhos, sempre os tive desde criança pequena na Fazenda Mutuca. Os sonhos fascinam não só estudiosos como também o mulherio e apostadores do Jogo de Bicho. O geniosinho Freud, em sua obra “A Interpretação dos Sonhos”, propôs que os sonhos “são uma realização disfarçada de desejos reprimidos, principalmente de natureza sexual e agressiva”. Quando criança, ouvia dos mais velhos: “Quem sonha não enlouquece”. Só assim, sentia-me aliviado. Os mais velhos parecem estar sempre com a razão. A neurociência revela que “os sonhos ajudam na regulação emocional, no processamento de memórias e na resolução de conflitos internos”.
Quer sejam desejos reprimidos, sexuais, agressivos ou desejos conscientes, como acreditava Carl Gustav Jung, o fato é que pareceram muito reais. Essa semana eu tive sonhos ou pesadelos, sei lá o quê, daqueles bem estranhos. Na primeira noite, sonhei que a terceira Guerra Mundial havia se iniciado, quando uma coisa chamada de OTAN e um país que tem como símbolo nacional, um tal de Tio Sam, incentivaram um ex-ator e comediante, fantoche de presidente, a cutucar com vara curta a onça ex-socialista adormecida. Resultado: centenas de civis mortos, o país destroçado e ainda tendo que pagar pelos empréstimos com tio Sam com suas riquezas, as terras raras. Sonhei também que o povo que se proclama, “O Povo de Deus” que já sofreu os horrores do holocausto, apoiado pelo presidente cor de laranja, fazia um genocídio a céu aberto contra o povo irmão e pobre que não tem Estado e não declarou guerra. Pesadelo mesmo, foi o que tive no Congresso. Eu no plenário, como deputado federal, fazendo um discurso crítico, questionando por que a grande maioria dos congressistas queria por fim ao estado do direito ao defenderem o direito de anistia aos participantes do 8 de janeiro. Com um discurso persuasivo e forte, alertava-lhes sobre o perigo do 8 de janeiro e mostrava-lhes os artigos do Código Penal e as penalidades que deveriam ser aplicados em casos de invasão e depredação, como no “Artigo 359-L: “Tentar abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais” ou no Artigo 359-M: “Tentar derrubar o governo democraticamente eleito”. Ao fazer questionamentos sobre por que ainda estava solto o mentor mor da tentativa de golpe. Um deputado de extrema-direita, forte e tatuado, aproxima-se, exige que eu cale a boca e atira à queima-roupa. Com as mãos sujas de sangue, disse-lhes: “eu não posso morrer ainda”, e acordei com os olhos fixos no teto do quarto.
No fim da semana, um outro que me pareceu pior. Uma ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, parda, de corpo frágil, de origem humilde, foi convidada pelos senadores a falar numa audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado sobre a criação de áreas de conservação na região Norte. Ao iniciar a audiência, um senador ao dirigir-lhe a palavra disse-lhe que mulher “merecia respeito e a ministra, não”. A franzina ministra, como havia sido convidada como ministra, exigiu-lhe desculpas. Diante da recusa do parlamentar em se retratar, a ministra, que tem sangue nordestino, deixou a sessão. Acordei assustado e pensei: isso só pode ter sido um sonho.
No século V, antes de Cristo, a cidade estado de Esparta, que nunca conheceu a democracia, permitia que,em certos casos, a mulher fosse representar o marido na assembleia. Os homens a ouviam e respeitavam as suas argumentações. Diante de uma situação dessa, em pleno século XXI, o meu sábio avó, que nunca sentou nos bancos de escola, diria: “Esses cabra véi não tem respeito por mulher, não. Merecem é muita peia!”. Cadê as mulheres desse país que não reagem? Ainda bem que os sonhos e pesadelos não são reais.