A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos ocupa posição de destaque no cenário econômico internacional. Ao longo de décadas, os dois países construíram uma ampla rede de intercâmbio, marcada pela diversidade de produtos e serviços negociados e pela busca por novas oportunidades de negócios. Apesar da relevância dessa parceria, o comércio bilateral também é influenciado por mudanças no cenário econômico e por desafios que podem afetar empresas e diferentes setores produtivos. Nesse contexto, compreender a dinâmica das relações comerciais entre os dois países é fundamental para identificar oportunidades, avaliar possíveis impactos e acompanhar os movimentos do mercado.
Os dados mais recentes, no entanto, apontam para um cenário de menor dinamismo. Segundo o Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil, a corrente de comércio entre os dois países movimentou cerca de US$ 29 bilhões entre janeiro e maio de 2026, uma retração de 14,3% em relação ao mesmo período de 2025. A queda foi registrada tanto nas exportações brasileiras para os Estados Unidos quanto nas importações de produtos norte-americanos. Nos cinco primeiros meses de 2026, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano somaram US$ 14 bilhões, recuo de 16% na comparação anual e o menor valor registrado para o período desde 2022.
As importações também apresentaram retração. Entre janeiro e maio, o Brasil comprou US$ 15,5 bilhões em produtos dos Estados Unidos, uma queda de 12,6% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Com as exportações brasileiras recuando em ritmo mais intenso do que as importações, o déficit na balança comercial bilateral aumentou 43,3% e chegou a US$ 1,5 bilhão no período. Os números indicam, portanto, uma redução no ritmo das trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos nos primeiros cinco meses de 2026, cenário que reforça a importância de acompanhar as transformações na relação econômica entre os dois países e seus possíveis reflexos sobre empresas, setores produtivos e oportunidades de negócios.
Diante desse cenário econômico, o Mesa de Negócios Insights, apresentado pelos jornalistas Jordan Vall e Karla Sousa, entrevistou o CEO da JM Negócios Internacionais, Augusto Fernandes, para discutir a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. A entrevista está disponível no canal do YouTube do Opinião CE a partir das 20h desta sexta-feira (25).
Ao comentar os principais fatores que ajudam a explicar a retração nas exportações e importações entre os dois países, o especialista em negócios internacionais destacou o atual cenário geopolítico e a posição estratégica do Brasil no contexto das relações entre grandes potências. Segundo Augusto, o país ocupa uma posição central em uma disputa por influência econômica e comercial envolvendo Estados Unidos e China. O especialista também apontou a primeira onda de tarifas impostas no ano passado como um dos fatores que contribuíram para o atual cenário de instabilidade nas relações comerciais. Apesar do contexto internacional, Augusto ressaltou que a relação comercial entre Ceará e Estados Unidos permanece positiva.
Segundo ele, os norte-americanos são o principal mercado consumidor dos produtos cearenses, respondendo por mais de 50% das negociações do estado.
Outro ponto abordado durante o programa foi o impacto do avanço tecnológico sobre as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Para Augusto Fernandes, a tecnologia tem contribuído para aproximar empresas, facilitar a comunicação e ampliar as possibilidades de negócios entre os mercados. Como exemplo, o especialista citou uma indústria de confecção instalada no Ceará que emprega entre 3 mil e 4 mil pessoas e produz para grandes marcas norte-americanas. Na avaliação de Augusto, o avanço das ferramentas tecnológicas tornou os contatos comerciais mais ágeis e aproximou empresas de diferentes países, facilitando a negociação e a expansão das relações comerciais.

Ao abordar os setores que apresentam maior potencial de exportação para os Estados Unidos, Augusto Fernandes destacou a força do agronegócio na região. Segundo o especialista, o Vale do São Francisco tem forte atuação na produção e exportação de frutas, enquanto o Nordeste se destaca no abastecimento dos mercados norte-americano e europeu. Além do agronegócio, Augusto ressaltou a diversidade de produtos que conquistaram espaço no mercado internacional ao longo das últimas décadas. Entre os exemplos, citou o artesanato, que ganhou maior projeção internacional a partir dos anos 1990, e as redes produzidas na região, que passaram a despertar o interesse do mercado externo nos anos 2000.
O especialista também destacou segmentos que vêm ampliando sua presença nas relações comerciais com os Estados Unidos, como produtos tecnológicos, cosméticos e artigos de confecção. Para ele, essa diversidade demonstra o potencial regional de inserção em diferentes nichos do mercado internacional.
Com mais 20 milhões, e-commerce bate recorde no Brasil
O comércio eletrônico brasileiro caminha para um recorde histórico em 2026. Impulsionado pela integração com as redes sociais e pela busca por conveniência, o setor deve alcançar 139 milhões de consumidores até o fim do ano. O salto representa a chegada de 20 milhões de novos compradores em apenas 12 meses, consolidando a migração do consumo para o ambiente virtual.
A mudança de hábito é visível nas grandes cidades. Nas capitais, 84,5% dos consumidores digitais realizaram ao menos uma compra on-line nos últimos 12 meses, superando a taxa de 73,1% registrada no ciclo anterior. A frequência também aumentou de forma expressiva: 66% dos entrevistados compraram pela internet no mês que antecedeu a pesquisa, enquanto a fatia de pessoas que nunca utilizou o canal caiu para 5,6%. Os dados oficiais do IBGE confirmam a consolidação da tendência.
Falhas na comunicação custam US$ 1,2 trilhão por ano às empresas, diz pesquisa
Problemas de comunicação estão entre os fatores que mais geram retrabalho, perda de tempo e desalinhamento dentro das empresas. Um estudo realizado pela Grammarly em parceria com a Harris Poll estima que a comunicação ineficaz custa às empresas dos Estados Unidos cerca de US$ 1,2 trilhão por ano.
O levantamento mostra que o problema vai além de mensagens mal interpretadas ou reuniões pouco produtivas. Quando informações não são transmitidas com clareza, decisões podem ser atrasadas, tarefas precisam ser refeitas e equipes gastam mais tempo tentando entender o que deveria ter sido definido desde o início. Para a advogada Silvia Letícia, especialista em gestão, o dado chama atenção para uma questão que muitas empresas ainda tratam como um problema individual, quando, na verdade, pode estar relacionado à própria estrutura de trabalho.
