A acusação foi feita num programa caça-votos na internet, daqueles em que questionamentos e contrapontos não existem. É uma acusação grave e é de Ciro Gomes (PSDB), que diz ter a ambição de ser governador do Ceará — daí, como outras, não ser amparada por prova nenhuma: “Tem um problema sério de abastecimento de água (…). A Cagece não presta, porque a Cagece virou um antro de roubalheira, de corrupção generalizada. Aumentos escorchantes de tarifa e roubalheira do primeiro ao quinto. É tudo ladrão, mas vai tudim se explicar”. Depois de ter falado mal de todos os segmentos da gestão do Estado — saúde, economia, cultura, educação, segurança, transporte, planejamento, assistência social, infraestrutura, nada serve, segundo ele —, o bolsonarista aponta a agressividade agora para uma empresa que apresenta resultados positivos e viabiliza para os usuários ganhos técnicos e operacionais importantes. A aquisição de metodologias internacionais e o desenvolvimento de meios nos próprios laboratórios são exemplos. Mas a Cagece não pode ser enxergada apenas como ativo financeiro, mas como ativo social — do qual direitos elementares do cidadão são cumpridos pelo poder público. Soa muito estranha a virulência de Ciro Gomes. A quem ele está atendendo quando fuzila dessa forma o interesse da população?
Fogo-amigo
Nem o ex-governador e ex-senador Tasso Jereissati, patrono de Ciro Gomes, escapa da enxurrada de agressões. “Tem cabimento uma empresa fuleragem como a Enel botar o nome de um cidadão, de uma dona de casa, no SPC? Vou botar essa Enel para correr do Ceará com toda a força que eu tiver”. O ataque mira no coração de Tasso. Foi ele quem escancarou as portas do Estado, privatizou a antiga Coelce e estendeu um tapete vermelho para a Enel entrar. E ela entrou.
Cofrinho
Tasso vendeu a Coelce para chilenos, espanhóis e portugueses integrados no consórcio Distriluz em 1998, que resultou na Enel, recebendo em troca R$ 987 milhões. Foi baratíssimo. Para se calcular o tamanhão da boca-livre que entregou, note-se que, a cada ano, o Estado paga agora cerca de R$ 1,5 bilhão à Enel pela energia que usa. De 1998 para cá, nunca apareceu Ciro Gomes nenhum para questionar isso.
Chocante
E sabem, leitora e leitor, quanto dessa dinheirama foi aplicado em melhorias de serviços para o cidadão cearense? Nada. Isso mesmo. Nenhuma moeda dos R$ 987 milhões foi usada para construir um hospital, uma escola ou uma estrada. A verba toda foi colocada no caixa do Estado para tapar o buraco previdenciário do período e outras despesas. Ciro, mais uma vez, calado estava e calado ficou.
Vai desfazer?
Ainda assim, a Enel tem encrencas agudas com o consumidor. Em 2020, teve de devolver aos usuários mais de R$ 18,3 bilhões por falhas em serviços e erros em contas. Foi o Estado do Ceará que levou a ação à Justiça. O governador na época era Camilo Santana (PT). Ciro vai desfazer o que Tasso fez?
De carona
O vereador Danilo Lopes (PRD) apareceu com um projeto clonado, mas interessante. É uma indicação em que o município “proíbe a divulgação, promoção ou endosso de empresas de apostas, cassinos em geral, jogos de azar ou quaisquer atividades relacionadas a apostas”. A ideia replica proposta do presidente Lula (PT) que diminui o potencial de tigrinhos e jogatinas afins.
Encruzilhada
Avalia-se que o Planalto oscila entre dois caminhos: o primeiro propõe a extinção dos cassinos online e do Tigrinho. O outro é mais radical e determinaria a extinção das bets – assim mesmo, limpo e seco. Entre as duas vias estaria a regulação da publicidade, o que parece pouco diante dos estragos que a jogatina causa ao País e às famílias.
Ponta dos dedos
Saúde que Cuida Digital é o nome da nova iniciativa da Prefeitura de Fortaleza na área. É um pacote de inovação que soma o aplicativo Saúde na Palma da Mão, a confirmação on-line de consultas e exames pelo aplicativo WhatsApp e a assistente de inteligência artificial IAra. Não é coisa de moda, deve-se dizer, mas a incorporação de tecnologias de comunicação e gestão pela administração pública.
Para todos
Palavras da secretária de Saúde, Riane Azevedo: “As pessoas vão ter mais facilidade para acessar serviços. Poderão consultar atendimentos agendados e receber lembretes de consultas e exames. Também terão acesso ao cartão de vacinação e serão avisadas quando uma nova vacina estiver disponível e quando estiverem dentro dos critérios para recebê-la”. Alguns (e caros) planos de saúde têm esses recursos. No caso, então, o Município está democratizando avanços que os mais abonados já usam.
