Brasília – Visitei os comitês nacionais dos principais candidatos à Presidência da República e pude testemunhar o quanto tem relevância a disputa eleitoral para os candidatos Zema e Ronaldo Caiado.
Os candidatos de direita não apostam no sucesso eleitoral de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e acreditam que ele deve sucumbir com sua candidatura, tendo como entrave um histórico de ações na vida pública e pessoal. Essa ficha de episódios joga o projeto bolsonarista, na visão de Zema e Caiado, na lata do lixo.
O passado de Flávio Bolsonaro, não explicado, na visão de Zema, causa desgaste e o descredencia para a jornada que está enfrentando. “Escândalos estão carimbando a história de Flávio”, diz Kassab, um experiente articulador nacional e de visão política. “Flávio será derrotado”, sentenciou Kassab.
“Uma mansão em Brasília nunca explicada, rachadinha, envolvimento com milícias, o tarifaço, aproximação com Trump e assessores, os R$ 140 milhões do Banco Master nunca explicados” são casos que virão à luz nas redes sociais e na campanha, diz Zema, para descredenciar Flávio Bolsonaro.
Flávio montou campanha contando com apoios estrangeiros
A candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto foi abandonada pelos partidos de centro e de direita, e ele ficou isolado. Sua tática mudou a partir da falta de apoio no país e passou a buscar aproximação com a direita de outros países, como integrantes do governo do presidente Trump, nos Estados Unidos, o presidente Milei, da Argentina, e poderá contar com apoio na Colômbia. A estratégia tem sido de grande repercussão. O tempo dirá se terá sucesso. Entre os bolsonaristas, tem aprovação.
A candidatura de Flávio Bolsonaro, do ponto de vista eleitoral, está montada na influência do pai, o ex-presidente Bolsonaro, o que é natural porque Flávio não tem o mesmo grau de conhecimento nacional. O pai foi presidente e se tornou líder nacional.
A campanha está começando. Flávio Bolsonaro sabe que estará sob fogo cruzado e, principalmente, será atingido por fogo amigo, do seu próprio campo político. A estratégia é manter o ritmo para chegar ao segundo turno e costurar apoios para um enfrentamento com chances de embate com Lula.
Campanhas milionárias
Com cerca de R$ 5 bilhões dos contribuintes, os partidos podem torrar muito dinheiro nas campanhas, contratando jatinhos e helicópteros para deslocamentos, locando palcos e palanques, alugando transporte terrestre e produzindo material de campanha. Podem, ainda, contratar produtoras de vídeo, escritórios de lobby, influenciadores, fazer disparos na internet e assumir outras despesas, como segurança.
Os partidos terão milhões de reais para gastar com candidatos a presidente, aos governos, Senado, Câmara e legislativos estaduais. Existe, ainda, a expectativa de arrecadação de recursos em doações de pessoas físicas. Empresas são proibidas de fazer doações para campanhas. No Brasil, existem doadores que fazem contribuições em dinheiro sem a devida contabilização. Quando candidatos aceitam recursos não declarados à Justiça Eleitoral, configura-se o chamado caixa dois.
Início de campanha não trouxe nada
O Brasil busca um caminho para seu crescimento. O país é líder na produção de grãos e se destaca no campo na produção de proteína, com carnes bovina, suína, de aves e pescados. O país tem uma indústria que precisa de tecnologia e um empresariado historicamente acostumado com a ajuda governamental.
O Brasil precisa solucionar problemas que também preocupam o mundo: o tráfico de drogas, as facções, as milícias e a corrupção. São problemas presentes em diferentes países, e o Brasil não está imune. Lula tem dito que crimes e problemas sociais devem ser combatidos também com investimento em educação. Países como China, Japão, Coreia, Singapura e os próprios Estados Unidos fizeram grandes investimentos na área educacional. Ao mesmo tempo, possuem legislações e sistemas penais bastante distintos entre si.
O principal adversário, Flávio Bolsonaro, nada apresentou de concreto. Fez uma citação sobre a redução da maioridade penal, debate que está no Congresso Nacional há anos. Parlamentares ligados à Igreja, à educação e aos direitos humanos resistem ao avanço do projeto.
Nos estados segue a regra nacional do debate entre direita e esquerda
Candidatos aos governos dos estados sofrem o drama das campanhas para presidente. Faltam projetos. A pauta da segurança está na ordem do dia. O que fazer para enfrentar o crime? O feminicídio? As facções? As milícias nas favelas? O tráfico? As organizações criminosas nos bairros, nas cidades e nos estados? Ninguém tem a solução; há, até agora, muita retórica.
*A evolução das campanhas pode fazer surgir algo novo para os estados e para o país.
O Nordeste está em pleno crescimento em diversos setores. É um caso de transformação importante. A região, que tem grande parte de seu território no semiárido, onde a seca e a desertificação são desafios históricos, vem encontrando caminhos por meio do conhecimento, da tecnologia e da experiência acumulada. As novas gerações já mostram outra característica: têm maior acesso à educação e crescente inserção na vida nacional. O Nordeste reúne milhões de jovens com formação superior, uma mudança importante no perfil social da região.
Kassab: “Temos grandes planos para Fernanda Pessoa em Brasília”
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, que praticamente decretou a derrota de Flávio Bolsonaro na eleição de 2026 ao declarar que “Flávio sairá derrotado”, disse que seu partido, o PSD, “tem grandes planos para a deputada Fernanda Pessoa em Brasília em 2027”. Por isso, segundo ele, pediu para que ela não participasse da chapa de Elmano como vice.
Segundo Kassab, Fernanda Pessoa tem realizações políticas, sendo destaque como parlamentar experiente, empresária e com amplo reconhecimento em todo o Ceará pela contribuição e apoio a projetos sociais, inclusivos e de desenvolvimento. “A deputada Fernanda Pessoa é fundamental para o PSD e para o Brasil”, disse, sem antecipar os planos. Kassab é um político influente no cenário nacional.
