Existem pequenos prazeres que hoje precisam de todo um grande planejamento para serem realizados. Um desses é ler um jornal impresso, tranquilamente, em uma padaria, acompanhado de um bom café com leite e um pão na chapa. Achou estranho? Pois eu explico.
É porque não tem jornal pra vender na maioria das padarias e banca de revista virou artigo de museu. Até tentei realizar essa vontade em um domingo, sem sucesso, depois do almoço. Peguei um carro por aplicativo toda feliz até o North Shopping, que tem uma padaria ao lado e uma antiga banca de revistas no mesmo quarteirão.
Infelizmente, não deu certo porque a banca tava fechada e não tinha jornal para vender na padaria. Tomei o café sem meu jornal, contrariada e decidida a, durante a semana, encontrar uma padaria que vendesse o jornal e não fosse tão longe assim da minha casa.
Na segunda, liguei para o tal jornal, o único que ainda tem esse tipo de periódico aqui na cidade e o atendente me informou que uma grande rede de supermercados vendia o jornal. Como tem uma unidade não tão longe da minha casa, fiquei de conferir um dia se de fato ia conseguir matar minha vontade dessa fantasia saudosista.
Como nunca entrei nesse supermercado, o medo é que não tenha uma padaria dentro para vender meu café com leite e o pão passado. Já pensou eu pegar um carro por aplicativo só pra isso e não conseguir realizar esse pequeno desejo?
Nessas horas, fico lembrando das minhas viagens para São Paulo, de 15 anos atrás. Era quase um ritual no domingo frio e cinzento. Acordava, escovava os dentes, vestia a roupa, calçava o tênis e seguia para a banca. Para a minha sorte, do lado da banca tinha uma padaria muito sortida. O prazer era completo porque além de ter tudo que eu gostava lá, eu estar de férias e conseguir comprar, ainda tinha um jornal bem robusto para eu escolher minhas programações da semana. Eram os anos 2010 e todos os grandes jornais ainda tinham sua versão impressa em circulação. Comprava um Estadão e uma Folha e seguia, morta de feliz, pra casa de volta.
Esse vício pelo papel me fez também assinar o jornal impresso aos domingos, há alguns anos. Mas, em casa, não tinha o mesmo gosto. Além disso, a versão que hoje é vendida era tão enxuta que às vezes eu ficava arrependida dessa assinatura. O caderno de cultura era tão discreto e econômico… Eu praticamente só assinei para ler os cronistas e colunistas. E, depois, percebi que tinha outros que só publicavam em outros dias na semana. Mesmo assim, consegui encher umas duas pastas com recortes de coisas interessantes.
Domingo passado, finalmente consegui matar essa vontade. O gosto que teve eu conto na próxima crônica. Aguardem.
