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Avon: 140 anos de beleza, negócios e histórias que conectam mulheres

Avon entra em novo momento no Brasil e aposta em inovação sem abrir mão da força de uma rede de 1,5 milhão de consultoras
Paola Toscano, Head de Marca e Negócios da Avon Brasil, foi entrevistada pelo Mesa de Negócios sobre o novo momento da marca no mercado da beleza. Foto: Opinião CE

Uma marca com 140 anos de história, cerca de 1,5 milhão de consultoras no Brasil e aproximadamente 4 milhões na América Latina. A Avon faz parte de um mercado que movimenta cerca de R$ 200 bilhões por ano no Brasil e que tem na inovação, no relacionamento e na autoestima feminina importantes motores de transformação.
Mas há algo que os números, sozinhos, não conseguem explicar: como uma marca atravessa gerações, acompanha mudanças profundas no comportamento do consumidor e continua presente na vida de tantas mulheres?

Foi sobre essa trajetória, os desafios do mercado da beleza e as estratégias de negócios que o Mesa de Negócios conversou com Paola Toscano, Head de Marca e Negócios da Avon Brasil. A entrevista foi conduzida pelos jornalistas Karla Sousa e Jordan Vall. Uma conversa que revela como tradição, inovação e empreendedorismo feminino se conectam na construção de uma marca que atravessa gerações.

A entrevista fica disponível no YouTube do Opinião CE a partir das 20h desta sexta-feira (18).

Uma rede de mulheres que movimenta a economia

Fundada em 1886, a empresa construiu uma história que se confunde com a de milhões de mulheres. Muito antes de as redes sociais digitais aproximarem pessoas por meio de plataformas e aplicativos, a Avon já reunia mulheres em uma rede de relacionamento que conectava comunidades, compartilhava experiências e movimentava a economia. Uma espécie de rede social fora das telas, sustentada pela confiança, pela conversa e pela presença das consultoras.

Essa dimensão humana continua sendo um dos ativos mais importantes da marca. Em um cenário no qual a tecnologia acelera a jornada de compra e amplia a concorrência, a relação de confiança entre consultora e consumidora permanece como um diferencial do modelo de venda direta. A tecnologia, nesse contexto, não precisa substituir o contato humano, pode ampliar seu alcance, facilitar a gestão e criar novas possibilidades de renda.

A transformação do negócio também passa pela construção de um ecossistema que combina diferentes canais de venda. Consultoras, comércio eletrônico e presença em pontos de venda multimarcas fazem parte de uma estratégia que busca acompanhar o consumidor onde ele está, sem perder de vista a força do relacionamento. O desafio está em integrar esses caminhos, para que a conveniência da compra e a experiência de atendimento se complementem.

No centro dessa operação está uma rede de empreendedoras que movimenta muito mais do que produtos. Para muitas mulheres, a atividade representa uma oportunidade de geração de renda, autonomia e desenvolvimento profissional. Por isso, falar de Avon é falar também de empreendedorismo feminino e de um modelo de negócio que, ao longo de sua história, ajudou a abrir portas para mulheres em diferentes realidades.

Revista Avon mantém circulação de mais de 1 milhão de exemplares a cada 20 dias e segue integrada à estratégia de relacionamento da marca. Foto: Opinião CE

E a marca não se limita à maquiagem e aos cosméticos. Seu olhar para o universo feminino também alcança questões relacionadas à saúde, ao bem-estar e às diferentes etapas da vida. Pesquisas e iniciativas voltadas a temas como a menopausa mostram como compreender as mulheres exige escuta, informação e disposição para tratar de assuntos que nem sempre receberam a atenção necessária do mercado.

Essa perspectiva amplia o significado da beleza. Ela deixa de ser apenas uma categoria de consumo e passa a dialogar com autoestima, identidade, saúde e qualidade de vida. Para as empresas, compreender essa mudança significa reconhecer que o consumidor não procura somente um produto, procura soluções que façam sentido em sua rotina e em sua história.

Pesquisa e inovação

A pesquisa também ocupa um lugar central na estratégia de inovação da Avon. Durante a entrevista, Paola Toscano explicou que os produtos são inicialmente testados em dois estados com condições climáticas extremas. Para serem aprovados, precisam apresentar desempenho adequado tanto no frio quanto no calor. O processo demonstra a preocupação da marca em desenvolver soluções que atendam às diferentes realidades do consumidor brasileiro.

Além dos testes, Paola Toscano destacou a prioridade dada às pesquisas e à modernização contínua dos produtos. Em um mercado competitivo, inovar significa compreender necessidades, aperfeiçoar fórmulas e transformar conhecimento em valor para quem consome. É um trabalho que une tecnologia e sensibilidade, mantendo a atenção às expectativas das mulheres.

Outro símbolo dessa capacidade de adaptação é a revista Avon. Em plena era digital, a publicação impressa continua existindo e, segundo os dados apresentados para esta entrevista, ultrapassa 1 milhão de exemplares a cada 20 dias. Sua permanência revela que inovação não significa necessariamente abandonar formatos tradicionais. Significa compreender o papel de cada canal e como ele pode continuar relevante dentro de uma estratégia de negócios.

A revista é também parte da memória afetiva de muitas famílias brasileiras. Suas páginas atravessaram gerações, circularam entre amigas, mães e filhas e ajudaram a transformar a escolha de um batom ou de um perfume em um momento de convivência. Hoje, esse legado pode dialogar com novas experiências de compra, conteúdos digitais e ferramentas de relacionamento.

Para uma marca centenária, preservar essa história sem ficar presa ao passado é um exercício permanente de gestão. É preciso reconhecer o valor da tradição, mas também acompanhar novas gerações, mudanças culturais e expectativas de consumo. É nesse encontro entre memória e inovação que uma marca encontra espaço para continuar relevante.

Entrevista ao Mesa de Negócios aborda inovação, empreendedorismo feminino e as estratégias da Avon para se conectar com novas gerações. Foto: Opinião CE

A história da Avon ajuda a compreender uma questão essencial para o mercado contemporâneo, em um mundo cada vez mais digital, o relacionamento continua sendo um ativo econômico. A tecnologia pode aproximar, personalizar e facilitar. Mas, são a confiança, a escuta e a capacidade de reconhecer as necessidades das pessoas que dão significado a essas conexões. No fim, talvez o maior legado de uma marca que atravessa gerações não esteja apenas nos produtos que lança ou nos canais que desenvolve. Está nas oportunidades que cria, nas relações que mantém e nas histórias que ajuda a construir.

Festival Costume Gourmet reúne chefs e histórias em uma celebração à memória afetiva

O Festival Costume Gourmet reúne, a partir desta sexta-feira (18) e seguindo até domingo (20), chefs, experiências gastronômicas, degustações, harmonizações, música e mais de 35 estandes no La Maison Coliseu, em Fortaleza. A programação será distribuída em três espaços e contará com mais de 30 chefs confirmados e mais de 30 marcas parceiras.

Com o tema “Sabores de uma bela história”, a edição de 2026 também integra as comemorações pelos 100 anos do Grupo MSLZ, trajetória que deu origem às marcas que hoje compõem o grupo, entre elas o São Luiz Supermercado, idealizador do evento. A proposta é olhar para a gastronomia como parte da memória afetiva de diferentes gerações, com atenção especial à cozinha cearense e às histórias construídas em torno da mesa.

Fórum Novo Mercado 2026 reúne grandes executivos e especialistas em gestão em Fortaleza

Fortaleza recebe, nos dias 23 e 24 de setembro, o Fórum Novo Mercado 2026, que reunirá cerca de 900 empresários e decisores no Teatro RioMar Fortaleza. Em sua 12ª edição, o evento terá uma programação dedicada aos desafios do crescimento empresarial, com nomes nacionais da gestão, inovação, tecnologia e empreendedorismo.

Entre os palestrantes estão José Salibi Neto, cofundador da HSM; Nelson Lins, cofundador da Selfit, rede com mais de 100 unidades e valuation superior a R$ 2 bilhões; Rodrigo Carvalho, cofundador e co-CEO da Positive Company; Eduardo Gomes de Matos, fundador da Gomes de Matos Consultoria e autor do livro A Nova Gestão; e Lia Quinderé, fundadora da Sucré Brasil.