Era uma terça-feira. Ao sair do trabalho, coloquei o tênis e preferi, ao invés de ir para a academia, seguir para conhecer a nova Ponte dos Ingleses. O point fica a menos de 10 minutos de caminhada do meu trabalho.
Por ser um lugar importante para mim, queria fazer daquele encontro com um dos símbolos da Praia de Iracema algo especial. Pensei em esperar para quando eu tivesse uma paixão ou mesmo para quando minha melhor amiga chegasse de São Paulo, no fim de setembro.
No entanto, como era perto, eu deixei essa ideia besta de lado e fui sozinha mesmo, por curiosidade e para buscar paz em mais um dia dificil, em que eu precisei lembrar que a vida dos outros não está sob o meu controle.
Já na esquina vi a multidão em cima da ponte. Me deu uma certa preguiça. Chegando mais perto, tinha um carro com várias mulheres em roupas sensuais. Parecia algo para um filme de conteúdo adulto.
Mais na frente um grupo de pessoas fantasiadas de Pequena Sereia, Malévola e alguns animes também eram atração para as fotos. Continuei sem entender o contexto e comecei a rir.
Subi no novo piso de cimento queimado. Senti falta das tábuas, mas eu já sabia que tinham mudado esse detalhe. Com certeza é mais prático e seguro. Assim, as manutenções por conta do desgaste natural irão ser mais espaçadas. Economia para o poder público.
No entardecer, avistei o Mara Hope e a escultura La Femme Bateau no fim da Ponte. Casais apaixonados eram poucos. Vi mais grupos de amigos. Idosos, crianças e várias pessoas que deviam estar caminhando e aproveitaram para dar uma parada e observar, assim como eu. Também ciclistas.
Me encostei no parapeito e notei o contraste das cores. Tentei registrar com o celular e não consegui. O olho percebe cores que o meu celular simples não entende.
Tirei o livro Cidades Invisíveis da bolsa. Fiz fotos dele no tablado de tábuas, com o mar no fundo, mostrando os vários espaços. Com a ventania forte, os postais e o marcador voaram longe, mas eu consegui recuperar.
Depois de ficar cansada de olhar em volta e não apreender a emoção do lugar, eu desci as escadas e segui para as pedras, para tentar um ângulo parecido com o da capa.
Quando finalmente eu consegui, percebi que mudaram a ordem das casinhas. Ainda tentei fazer uma selfie decente, mas nenhuma prestou.
Me sentei e fiquei olhando aquela Ponte que eu tanto esperei que reinaugurassem. O lugar que, por medo da morte, eu imaginei que não conseguiria rever.
Procurei lembrar das pessoas que eu beijei ali e não lembrava mais das cenas, nem me interessei em saber por onde andavam. Fazia mais de 20 anos, o que isso importava? Somos outros.
O romantismo que eu tinha, senti que estava morrendo. A Ponte dos Ingleses era uma folha em branco, sem emoção alguma. Será se eu embruteci?
Segui para continuar meu caminho até o jasmim branco da Avenida Beira-Mar, em frente ao restaurante Coco Bambu Frutos do Mar, meu ponto de chegada em todas as caminhadas.
Acho que posso seguir tirando essa preocupação do amor romântico da minha lista. Ela já está muito cheia e ando precisando é de leveza. O amor vai chegar quando ele quiser. Posso esperar.
