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A influência de Ciro e Cid na política do Ceará

Entre 1982 e 2026 são 44 anos. Esse é o tempo de Ciro atuando na vida pública do...

Entre 1982 e 2026 são 44 anos. Esse é o tempo de Ciro atuando na vida pública do Ceará. Os cargos são conhecidos: deputado, prefeito, governador. No cenário nacional, foi ministro de Lula e disputou quatro vezes a Presidência da República. Ciro é conhecido no Ceará e no país. Divide com Cid e Camilo o título de liderança mais popular.

Cid Gomes foi deputado, prefeito, governador, ministro e chegou ao Senado. Teve mais mandatos que Ciro. Nunca disputou a Presidência, mas conhece bem o processo — foi coordenador de campanhas do irmão. Os outros irmãos também atuam na política. Ivo Gomes encerrou dois mandatos como prefeito de Sobral, foi deputado, secretário de Estado e foi nomeado por Lula para o BNDES. A irmã, Lia Gomes, é deputada estadual e deixou recentemente a Secretaria da Mulher do governo Elmano.

Hoje, Ciro e Cid ocupam espaço nas redes sociais, onde influenciadores alimentam uma possível briga entre os dois — algo que não se confirma na prática. São profissionais da política. Estão em campos diferentes e vão medir forças nas urnas. Mantêm relação familiar, mas não dialogam politicamente.

Não se pode ignorar o peso da trajetória dos irmãos. Há virtudes construídas ao longo da história política. Ao mesmo tempo, a população expressa admiração e rejeição. O campo político está aberto. Ciro entende que o momento favorece a direita e se posiciona nesse espaço. Cid acredita no campo governista como o melhor caminho para manter o crescimento do Ceará. O debate político precisa de consistência. Ciro não pode se associar apenas a interesses circunstanciais, sob risco de perder identidade.

Análise da pesquisa Quaest Ceará na visão de estatísticos e cientistas políticos

O eleitorado de Ciro, hoje, é composto por três grupos:

1. Eleitores de direita antipetistas;

2. Eleitores que não são de direita, mas desaprovam o atual governo;

3. Eleitores que aprovam o governo, mas são mais distantes da política e conhecem pouco o nome de Elmano — o chamado efeito recall, a lembrança do nome mais conhecido.

Os eleitores de direita e os insatisfeitos com o governo tendem a votar em Ciro. O problema é que esses grupos são minoria no Ceará: apenas 19% dos cearenses consideram o governo Elmano ruim ou péssimo, e 22% se declaram de direita.

Por outro lado, o governador Elmano aparece atrás neste momento, mas com tendência de crescimento. A avaliação ótima e boa é de 37%, índice que costuma ser o piso de candidatos à reeleição. Se hoje tem 32% das intenções de voto, a tendência é crescer durante a campanha e alcançar esse patamar, o que já o colocaria em condição de empate.

Outros números: o governador tem 53% de aprovação, e 50% consideram que ele merece ser reeleito.

Sobre alinhamento político: 43% dos cearenses querem um governador aliado de Lula, enquanto apenas 18% preferem alinhamento com Bolsonaro.

O cenário atual é claro: de um lado, um governador ainda pouco conhecido, mas aprovado pela maioria e com base política consolidada ao lado de Lula e Camilo. Do outro, um candidato de oposição muito conhecido, mas inserido em um estado onde a rejeição ao governo é minoritária e o campo da direita é limitado.

Cerca de 81% do eleitorado ainda não sabe em quem votar. A maioria ainda não entrou no debate eleitoral.

Elmano pode vencer e buscar a reeleição já no primeiro turno. Ciro terá que construir uma campanha forte para reverter o cenário. Avalia, inclusive, disputar o Governo do Estado ou a Presidência da República.

Cid quer reeleger Elmano e formar grande bancada do PSB

O senador Cid Gomes atua dentro da lógica tradicional da política. A construção eleitoral começa na base: lideranças comunitárias, vereadores, prefeitos e deputados.

A estratégia é clara: fortalecer a bancada para sustentar a chapa majoritária. “Nossa meta é eleger até 14 deputados estaduais e cinco deputados federais, podendo chegar a seis. Precisamos de mais de um milhão de votos”, afirmou Cid, consciente dos números. Para eleger um deputado estadual são necessários cerca de 115 mil votos. Para federal, aproximadamente 210 mil.

Jô Farias propõe inserir pescador na economia formal

A deputada Jô Farias apresentou na Alece um projeto que busca incluir o pescador artesanal na economia formal. A proposta prevê acesso à internet gratuita, financiamento público para embarcações, plano de comercialização e prioridade em áreas como saúde, educação e cultura. É uma pauta que chega com atraso, mas necessária.

O fim da jornada 6×1

A eleição de 2026 já influencia o debate nacional. A jornada 6×1, na prática, já deixou de existir em várias categorias. A proposta impacta principalmente trabalhadores do comércio e da indústria. O tema virou disputa política entre governo e oposição. A tendência é de aprovação com ampla maioria. Poucos parlamentares votarão contra, já que o custo eleitoral seria alto. Misturar direitos trabalhistas com disputa eleitoral é um erro recorrente.

Elmano: “A maioria da população não está pensando em eleição”

Elmano reforça que o eleitor ainda não entrou no clima eleitoral. “O eleitor não se envolveu ainda na campanha. Está trabalhando, pagando contas, cuidando da família. Com a propaganda eleitoral e os debates, ele passa a avaliar quem fez, quem faz e quem pode melhorar a vida das pessoas”, afirmou. A leitura é correta. A eleição ainda não começou para a maioria.