Se aproximando das eleições municipais, os partidos começam a definir seus apoios nos 184 municípios cearenses. Em Juazeiro do Norte, maior colégio eleitoral do Interior do Estado, o PDT do ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, vai apoiar a reeleição do prefeito Glêdson Bezerra (Podemos). Além da sigla trabalhista, legendas abertamente bolsonaristas como o PL e o Novo compõem o arco de alianças do gestor, que conta com nove agremiações partidárias. Neste sábado (20), foi realizada a convenção que definiu Bezerra como o candidato à reeleição inédita.
Na ocasião, estiveram juntos ao Podemos representantes de outros oito partidos: PDT, PP, PL, Novo, Democracia Cristã, União Brasil, PSDB e Cidadania. O presidente do PL no Ceará, o deputado estadual Carmelo Neto – uma das maiores lideranças bolsonaristas no Estado – esteve presente na convenção.
Além do atual prefeito, o pleito deste ano na maior cidade do Cariri deve contar com apenas mais um candidato. No bloco do Governo do Estado, o pré-candidato ao Executivo de Juazeiro do Norte é o deputado estadual Fernando Santana (PT). Ciro chegou a criticar as articulações do Palácio da Abolição que “tomaram” a possibilidade de disputa de outro nome no pleito, o também deputado estadual Davi de Raimundão (MDB), filho do ex-prefeito Raimundão (MDB).
“O filho do Raimundão tinha um lugar bom nas pesquisas. Glêdson estava na frente, mas ele estava chegando ali. Estou falando sério. Cadê ele? Não é mais candidato não? Ele desistiu? Não quis mais ser?”, perguntou. Na sequência, o pedetista afirmou que o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), “tomou o partido dele para ele não ser candidato”.
Segundo Ciro, quando uma disputa eleitoral tem muitos candidatos, o eleitor “vale ouro”. Ele continuou as acusações ao ex-governador Camilo. “O que o Camilo está fazendo? Chama para o gabinete dele, compra um, ameaça o outro, derruba o outro, faz a transação com o outro, para empurrar quem? Quem é o candidato que está apresentando? Um grande cearense, um ‘cabra’ que fez muita coisa”, disse, em tom irônico, sobre Fernando Santana. “Vai ser o prefeito porque o Camilo Santana caprichosamente quer?”, questionou.
O líder pedetista, na ocasião, falou também sobre a migração de Gilmar Bender do apoio a Glêdson para o de Fernando Santana. Conforme ele, operação da “polícia de Camilo Santana” foi o que fez o empresário migrar. “De repente, vão para cima do ‘cabra’, assusta o ‘cabra’, e quando a gente vê, o homem já foi embora”. No último mês de março, por meio de operação do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), foi iniciada uma investigação sobre suspeitas de corrupção e fraude em licitações. Gilmar Bender foi um dos investigados, além do prefeito Glêdson. A Operação ainda não mostrou nenhum resultado concreto em relação à suposta corrupção.
“FURA MEU OLHO SE TIVER ALGUÉM QUE FEZ MAIS POR JUAZEIRO”
Ainda conforme o ex-ministro, Glêdson foi quem mais fez em Juazeiro por menos tempo. Para o período anterior ao pleito, de acordo com ele, a primeira ação que deve ser feita é avaliar comparativamente a gestão do prefeito ao que os outros já fizeram, “com o que era a história antes” e o que é agora. “Eu faço um desafio. Em qualquer área – falo para os amigos, mas quero falar para os adversários também -, fura meu olho alguém do outro lado que mostre quem fez mais em tão pouco tempo pelo Juazeiro do que o prefeito Glêdson. E vale governador junto”, disse.
“Eu vim pedir, por tudo quanto é sagrado, ao povo do Juazeiro e o povo do Cariri que nos ajude a salvar o Ceará desse caminho de desastre que está acontecendo”.
Sobre tal “caminho de desastre”, Ciro destaca que o Ceará é palco de uma roubalheira da “Capital até o Salitre”. “Eu posso provar, e é por isso que não me processam. Não se faz uma obra pública nesse Estado sem a cobrança de propina”, voltou a acusar. Ele lembrou, depois, a atuação do Padre Cícero no combate à oligarquia que existia no Estado no início do Século XX. “Pouca gente sabe que antes de virar o profeta do Ceará, da pobreza brasileira, ele foi um líder político. E o Ceará naquela data era controlado por uma oligarquia […]. Teve um dia que ele [Padre Cícero] chamou o Juazeiro, chamou todo o Cariri, e o Ceará marchou rumo à Capital e derrubou a oligarquia”.
Segundo o ex-ministro, o Ceará “está assim” novamente. “O Ceará está de novo precisando muito de vocês [juazeirenses]. Vamos derrotar a prepotência, o ódio e o suborno, vamos levantar o Juazeiro”, aclamou.
