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Método Wolbachia: Eusébio avança para nova etapa de projeto inovador de combate a arboviroses

A Prefeitura da cidade da Região Metropolitana de Fortaleza apresentou, nesta terça-feira (13), os detalhes do projeto, que deve beneficiar, de acordo com a gestão, mais de 32 mil pessoas
Foto: Opinião CE

A Prefeitura de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), avançou para uma nova etapa do método da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para a redução da capacidade do mosquito Aedes aegypti de transmitir vírus como dengue, Zika e chikungunya. Nesta terça-feira (13), o Método Wolbachia foi apresentado em coletiva. O prefeito Dr. Júnior (PSB) e o secretário municipal da Saúde, Zózimo Medeiros, detalharam o projeto.

Por meio de uma parceria da Fiocruz com o Ministério da Saúde, a estratégia utiliza uma tecnologia inovadora para que pontos específicos da cidade recebam recipientes com ovos dos chamados Wolbitos, mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia. Essa bactéria tem menos capacidade de transmitir o vírus da dengue, Zika e chikungunya.

Conforme a gestão municipal, mais de 800 pontos foram mapeados. A expectativa é de que mais de 32 mil pessoas em nove bairros sejam beneficiadas pela medida.

Antes da instalação dos recipientes, o município passou por etapas de preparação que incluíram capacitação de profissionais, ações de orientação à população, definição dos pontos e instalação de armadilhas para monitorar a presença e a quantidade de Aedes aegypti.

Como explicou o prefeito Dr. Júnior, a escolha da Fiocruz pelo Eusébio não foi à toa. “Entendemos que a saúde do município tem excepcionais indicadores. Temos cobertura de 100% da atenção primária”, afirmou. Ele acrescentou sua fala, agradecendo pela escolha.

“O município do Eusébio está muito honrado de ser o município do Ceará para implantar esse programa que vai combater uma das doenças mais frequentes, principalmente nas escolas, que são as arboviroses”, disse.

Demais ações continuam

Júnior ressaltou que, mesmo com o Método Wolbachia, as demais ações de prevenção continuam no Eusébio. “É importante que a população saiba disso. Aqui, [o Método Wolbachia] é algo para aumentar, melhorar ainda mais as ações que o município já faz, de forma preventiva”, afirmou.

Já o secretário Zózimo Medeiros explicou que esta será apenas a primeira fase do programa, que deverá ser ampliado em outro momento.

“A gente já tinha falado que tem o desafio assistencial, no território. Essa resposta da Wolbachia é complementar”, frisou.

Como funciona o método

O Método Wolbachia utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia, naturalmente encontrada em diversas espécies de insetos. No mosquito, a bactéria interfere na capacidade de desenvolvimento dos vírus da dengue, Zika e chikungunya, reduzindo sua capacidade de transmissão.

Os mosquitos com Wolbachia são liberados de forma controlada em áreas definidas pelo projeto. Com o tempo, eles se reproduzem e transmitem a bactéria para as novas gerações, permitindo que sua presença se estabeleça naturalmente na população de mosquitos.

A estratégia não utiliza produtos químicos e não envolve modificação genética dos mosquitos. O método é aplicado em diferentes países e cidades brasileiras e integra uma estratégia de enfrentamento das arboviroses baseada em ciência, tecnologia, monitoramento e participação social.

Após a etapa de comunicação e engajamento, serão iniciadas as liberações controladas dos mosquitos com Wolbachia, realizadas por equipe técnica especializada. O processo será acompanhado por monitoramento técnico e epidemiológico para avaliar o estabelecimento da bactéria e os impactos sobre as arboviroses.