O Ceará avançou na proposta de criar um Jardim Botânico da Caatinga. Representantes do Grupo de Trabalho responsável pela iniciativa entregaram ao reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Custódio de Almeida, a proposta para criação do equipamento, que deverá ser implantado na Fazenda Experimental Vale do Curu, em Pentecoste.
A proposta foi apresentada no último dia 30 de setembro, durante reunião na Reitoria da UFC. O grupo responsável pelo projeto foi instituído em julho de 2026 e reúne representantes de diferentes áreas da universidade, além do Instituto Escolhas. A área prevista para receber o Jardim Botânico é representativa da Caatinga e deverá concentrar atividades de pesquisa, conservação e educação ambiental. Segundo a UFC, o projeto prevê o uso de 215 hectares da reserva legal da Fazenda Experimental Vale do Curu.
Pesquisa e conservação da Caatinga
O futuro Jardim Botânico deverá contribuir para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade da Caatinga, conservar espécies, produzir sementes e mudas e formar pesquisadores. Também estão previstas ações de restauração de matas ciliares e dos recursos hídricos existentes na área, além de atividades educativas relacionadas à convivência com o semiárido, à história das secas, à bioeconomia e às mudanças climáticas.
A proposta também dialoga com a nova Política Nacional e o Programa Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga, instituídos neste ano. Entre os objetivos estão a recuperação de áreas desmatadas, a ampliação da produção sustentável de alimentos, o fortalecimento da segurança hídrica e o estímulo à bioeconomia.

Próximos passos
A criação do Jardim Botânico da Caatinga será encaminhada para apreciação do Conselho Universitário da UFC (Consuni), com previsão de análise ainda em outubro.
Entre as próximas etapas estão a definição do zoneamento, a elaboração do plano diretor, a organização das atividades científicas, a busca por cooperação com outras instituições e o processo de credenciamento junto ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A iniciativa ganha relevância diante dos desafios ambientais enfrentados pelo bioma. Segundo o Instituto Escolhas, cerca de 40% da área da Caatinga está sob risco de desertificação, o que reforça a importância de investimentos em ciência, conservação e pesquisa.
