Menu

Skincare na pré-adolescência: dermatologista alerta para excesso de produtos e pressão por padrões de beleza

Thais Longatti chama atenção para o consumo de conteúdos sobre skincare por meninas de 10 a 12 anos e defende que cuidados com a pele sejam voltados à saúde, não à busca por uma aparência perfeita
A dermatologista Thais Longatti alerta que o excesso de produtos e a busca por uma pele perfeita podem transformar o autocuidado em uma fonte de pressão para crianças e pré-adolescentes. Foto: Arquivo Pessoal

Vídeos de meninas de 10, 11 e 12 anos mostrando rotinas de skincare têm ganhado espaço nas redes sociais, especialmente no TikTok. Séruns, máscaras, ácidos e diferentes cosméticos aparecem em conteúdos que alcançam milhões de visualizações. Para a médica dermatologista Thais Longatti, o fenômeno merece atenção de pais e mães diante dos riscos do excesso de produtos e da pressão por padrões de beleza.

“Basta abrir o TikTok para encontrar meninas de 10, 11 ou 12 anos mostrando suas rotinas de skincare, com séruns, máscaras, ácidos e vários outros produtos”, afirma a dermatologista. Segundo ela, a popularização desse tipo de conteúdo levanta uma questão importante: “até que ponto o cuidado com a pele está se transformando em consumo e pressão por padrões de beleza?”.

Um estudo publicado em 2025 na revista Pediatrics analisou 100 vídeos de skincare no TikTok. De acordo com os dados apresentados, os conteúdos tinham, em média, 1,1 milhão de visualizações. As rotinas mostravam seis produtos e tinham custo médio de US$ 168. Entre os 25 vídeos mais vistos, havia uma média de 11 ativos potencialmente irritantes, chegando a 21 em um único conteúdo. Apenas 26,2% dos vídeos incluíam protetor solar.

Primeiras espinhas exigem cuidados

A preocupação ganha outra dimensão porque parte desse conteúdo é consumida por meninas que ainda estão na pré-adolescência, período em que a pele passa por mudanças relacionadas aos hormônios. Nesse momento, dúvidas como “a primeira espinha é normal?” e “o que pode usar?” tornam-se frequentes entre crianças e suas famílias. Para Thais Longatti, é importante evitar que a acne seja encarada como uma falha de beleza.

Segundo a Academia Americana de Dermatologia, cerca de 85% dos adolescentes apresentam acne. Cravos e espinhas, portanto, são alterações comuns durante o crescimento. “Quando a acne aparece, a resposta não deveria ser correr para a prateleira de cosméticos ou reproduzir a rotina de uma influenciadora”, destaca a dermatologista.

Para a pré-adolescência, a orientação apontada pela médica é manter uma rotina simples, com limpeza suave, hidratação adequada e proteção solar. Em alguns casos, produtos com ativos específicos para acne podem ser necessários, mas devem ser escolhidos de acordo com as necessidades da pele. Quando há inflamação ou lesões persistentes, a recomendação é buscar orientação profissional.

Pressão por uma pele perfeita

Para Thais, o problema não está em ensinar crianças a cuidar da própria pele. O autocuidado pode, inclusive, ser uma prática positiva. A questão aparece quando os cuidados passam a estar associados à necessidade de atingir um padrão de beleza. “O problema começa quando uma menina passa a acreditar que precisa de uma pele perfeita, sem poros, sem espinhas e sem sinais naturais da idade”, explica.

A exposição constante a conteúdos de beleza nas redes sociais pode contribuir para essa percepção. Rotinas com muitos produtos podem transmitir a ideia de que uma pele saudável depende de uma grande quantidade de cosméticos, além de reforçar expectativas que não correspondem às características naturais da pele.

Papel dos pais ganha importância

Nesse cenário, a dermatologista destaca a importância da participação dos pais e responsáveis. Acompanhar o que crianças e pré-adolescentes consomem nas redes sociais e conversar sobre os conteúdos pode ajudar a diferenciar autocuidado de pressão estética. Antes de comprar um produto que viralizou, uma pergunta pode ajudar a avaliar a necessidade: “minha filha realmente precisa disso?”.

Para Thais Longatti, o cuidado com a pele nessa fase da vida deve estar relacionado principalmente à saúde e à proteção. “Na pré-adolescência, cuidar da pele deveria significar saúde e proteção – não uma corrida para parecer mais velha”, afirma.