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IJF realiza segunda aplicação de polilaminina em paciente com lesão completa na medula

Procedimento foi feito em homem de 27 anos, vítima de trauma raquimedular, e integra protocolo que testa o potencial da substância na recuperação de lesões medulares
Procedimento foi realizado em um homem de 27 anos, quatro dias após sua entrada no IJF, em Fortaleza. Foto: Reprodução/Prefeitura de Fortaleza

O Instituto Dr. José Frota (IJF), hospital referência em traumas de alta complexidade da Prefeitura de Fortaleza, realizou no último sábado (15) o segundo procedimento de aplicação de polilaminina em um paciente com lesão na medula espinhal. O paciente é um homem de 27 anos, vítima de trauma raquimedular, que deu entrada no IJF no dia 11 de agosto já apresentando paraplegia. Após exames de imagem, a equipe médica identificou uma lesão completa da medula na altura da sexta vértebra torácica (T6).

O caso foi classificado como ASIA-A, escala utilizada pelos profissionais de saúde para indicar uma lesão medular completa, caracterizada pela ausência de movimentos e sensibilidade abaixo do nível da lesão.

Aplicação foi realizada quatro dias após a entrada no hospital

A polilaminina foi aplicada diretamente na região afetada da medula, durante uma cirurgia aberta que durou aproximadamente uma hora. O procedimento foi realizado sem intercorrências. A operação contou com uma equipe multiprofissional formada por neurocirurgiões, anestesista, enfermeiros, técnicos de enfermagem e de radiologia, médicos residentes, entre outros profissionais.

A previsão é de que o paciente receba alta 48 horas após o procedimento, conforme avaliação da equipe médica.

Esta é a segunda aplicação de polilaminina realizada pelo IJF dentro do protocolo de uso da substância. A primeira ocorreu em 23 de maio deste ano, em um paciente de 20 anos com lesão na região da vértebra T8. O primeiro procedimento marcou a estreia da aplicação de polilaminina em uma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) no Ceará.

No segundo caso, o intervalo entre a chegada do paciente ao hospital e a aplicação foi menor. Enquanto o primeiro procedimento exigiu um período maior para avaliação e organização do protocolo inicial, o paciente admitido em 11 de agosto recebeu a substância quatro dias depois.

Paciente terá acompanhamento prolongado

Após o procedimento, o paciente será acompanhado pela equipe do IJF para avaliar sua evolução ao longo do tempo.

Segundo o neurocirurgião Lucas Chaves, responsável pelo processo no hospital, o monitoramento será diário durante a internação. Depois da alta, estão previstas avaliações a cada 15 dias e, até o terceiro mês, consultas mensais. Após esse período, o acompanhamento passará a ser realizado a cada seis meses.

“O paciente segue sendo acompanhado pela equipe do IJF após a aplicação. Inicialmente, o monitoramento será diário durante a internação. Depois da alta, estão previstas avaliações a cada 15 dias e, até o terceiro mês, consultas mensais. Após esse período, o acompanhamento será realizado a cada seis meses”, explica.

Segundo o neurocirurgião, o acompanhamento é necessário para observar a evolução do paciente e registrar possíveis mudanças relacionadas ao tratamento.

Polilaminina ainda está em fase de testes

A polilaminina ainda está em fase de testes para avaliar seu potencial no tratamento de lesões na medula espinhal. A substância é produzida pelo Laboratório Cristália em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A proposta é que a substância possa estimular novas conexões entre células nervosas e, futuramente, contribuir para a recuperação de movimentos e outras funções.

O uso da polilaminina neste caso foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em caráter especial, seguindo critérios clínicos definidos para cada paciente. Entre os fatores considerados estão idade, tempo de lesão, doenças associadas e estado de saúde.