A Universidade Federal do Ceará (UFC) alcançou a marca de 100 patentes deferidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), consolidando um avanço histórico na área de inovação científica e tecnológica.
O centésimo registro corresponde a uma tecnologia com potencial de aplicação no tratamento do câncer colorretal, que combina ácido anacárdico – composto natural extraído da casca da castanha de caju – com nanopartículas magnéticas.
Tecnologia une abordagens terapêuticas
Desenvolvida por pesquisadores do Departamento de Química Orgânica e Inorgânica da UFC, em parceria com o Laboratório de Polímeros e Inovação de Materiais (LabPIM) e o Laboratório de Oncologia Experimental (LOE), do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM), a inovação propõe o uso de um nanosistema integrado para o combate ao câncer.
Segundo a coordenadora do LabPIM, professora Nágila Ricardo, o diferencial da tecnologia está na combinação de estratégias complementares.
“A proposta é reunir duas abordagens: a ação biológica do ácido anacárdico contra células tumorais e o potencial das nanopartículas magnéticas de gerar aquecimento localizado para auxiliar na regressão tumoral”, explicou.
Em testes laboratoriais, o pesquisador David Alves de Assis destacou que os resultados iniciais indicaram ação seletiva contra células tumorais, com menor impacto sobre células saudáveis.
Marco foi celebrado em evento nacional
O anúncio foi feito durante o XII Encontro Nacional de Propriedade Intelectual (ENPI), realizado em Fortaleza, que reuniu debates sobre inovação, transferência de tecnologia e empreendedorismo. Na ocasião, houve o descerramento de uma placa comemorativa em homenagem à centésima patente deferida da instituição.
UFC amplia protagonismo em inovação
Atualmente, a universidade contabiliza cerca de 653 depósitos de propriedade intelectual, incluindo patentes, desenhos industriais e registros de software. A UFC também ocupa a 14ª posição nacional no ranking do INPI em patentes de invenção depositadas em 2025 e é a sexta colocada no Nordeste. Segundo a coordenadora da Coordenadoria de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia (Cpitt), Cláudia do Ó Pessoa, o resultado reforça a capacidade da universidade de transformar pesquisa em inovação aplicada.
“Essa conquista evidencia a capacidade da universidade de gerar conhecimento inovador e fortalecer a transferência de tecnologias para o setor produtivo”, afirmou.
Estrutura de inovação em expansão
O crescimento das patentes acompanha a consolidação de políticas institucionais de inovação, como a criação da UFC Inova e a atualização da Política de Inovação da universidade em 2025. A instituição também reforça parcerias com empresas, incentivo a startups acadêmicas e ações de transferência tecnológica, ampliando a conexão entre pesquisa científica e aplicação prática na sociedade.
