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Terraço do HRSC ganha arte e vira aliado no tratamento de pacientes

Pintura com paisagens do Sertão Central transforma espaço aberto em ambiente terapêutico e cheio de memórias afetivas
Espaço foi pintado com paisagens do Sertão Central e serve como momento terapêutico aos pacientes. Foto: José Avelino Neto

A área externa do terraço do Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), em Quixeramobim, agora conta com pintura de ambientação voltada ao apoio de atividades terapêuticas. A intervenção visual foi pensada como recurso complementar no cuidado, favorecendo estímulos visuais associados ao relaxamento.

A iniciativa partiu do Núcleo de Experiência do Paciente (Nexp) da unidade após o grande número de solicitações de pessoas internadas por momentos na área aberta. Muitos pacientes permanecem dias hospitalizados e relatam a necessidade de contato com o ambiente externo.

Nem sempre o remédio é o medicamento. Quando falo de assistência à saúde, eu preciso ver o ser humano em sua multidimensionalidade, tenho que entender que ele é um tio, um avô, uma mãe… O que a gente propôs foi vitalizar aquele espaço para que esse momento externo seja como um elemento terapêutico”, explica a enfermeira Cynara Nobre.

AMBIENTAÇÃO

A pintura, viabilizada por doação coletiva voluntária, recebeu paisagens naturais e pontos turísticos de municípios do Sertão Central. Entre os cenários retratados estão a ponte metálica de Quixeramobim e a Pedra da Galinha Choca, em Quixadá. “A ideia é de remeter aquele lugar a algo perto de casa, um lugar vivo, onde eles possam relembrar boas histórias que já viveram”, complementa Cynara Nobre.

A proposta reforça o vínculo afetivo com o território e estimula lembranças positivas. O incentivo às memórias proporcionado pela arte pode trazer benefícios emocionais importantes durante o período de internação. A estratégia integra ações de humanização do atendimento hospitalar.

EXPERIÊNCIAS

O espaço aberto com vista para o céu já havia sido cenário de outras experiências marcantes no HRSC. Em 2020, o local permitiu que um jovem matasse a saudade de soltar pipa após longa internação.

Outro momento ocorreu quando um paciente de Ibaretama recebeu a visita do cachorro de estimação. A saudade do animal era tão intensa que havia sinais iniciais de quadro depressivo.

Profissionais do hospital destacam que ambientações artísticas em unidades de saúde ajudam a transformar ambientes antes frios em locais mais acolhedores. A presença de cores pode reduzir ansiedade, estresse e percepção da dor, além de melhorar o humor de pacientes com internações prolongadas.

HUMANIZAÇÃO

Elisfabio Duarte, diretor administrativo do HRSC e coordenador do Nexp, detalha o significado da iniciativa.

“É muito gratificante participar de uma mobilização pensada para beneficiar pacientes, com um espaço onde eles podem voltar a ter contato com ar puro e a natureza, ambiente esse agora revitalizado com arte paisagística regional. O espaço é um colírio para os olhos. E a iniciativa é uma inspiração. Isso marca a experiência dos pacientes e das equipes”, diz o gestor, ao destacar o impacto positivo da ação.

A paciente Francisca Aurinete da Silva, 46, moradora de Solonópole, está internada há um mês e se emocionou ao conhecer a pintura. O relato da equipe aponta que o brilho voltou ao olhar dela diante das cores do espaço.

“Esse colorido é muito bonito, traz uma paz para a gente, sabe? É muito bom essas coisas. Você vê e chega a dar uma esperança no dia em que eu sair daqui e voltar para minha casinha de novo”, frisa a paciente.