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Ceará pode ganhar nova rede elétrica para viabilizar projetos de hidrogênio verde até 2026

Primeira molécula de Hidrogênio Verde produzida no Brasil foi lançada no Ceará. Crédito: Complexo do Pecém

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estudam formas de ampliar, em curto prazo, a capacidade de escoamento de energia no Nordeste, com foco especial nos estados do Ceará e do Piauí — onde estão localizados os maiores projetos brasileiros de hidrogênio verde (H2V). A informação foi publicada, neste domingo, pela Folha de S. Paulo.

Técnicos dos dois órgãos e do governo federal disseram ao jornal que há possibilidade de liberar espaço para a injeção de ao menos 1 gigawatt (GW) de energia na rede, volume que permitiria que empreendimentos instalados no Complexo Industrial e Portuário do Pecém tomassem decisão final de investimento já em 2026.

Hoje, a infraestrutura de transmissão da região não comporta a demanda dos projetos de H2V, que exigem grande volume de energia elétrica. O Porto do Pecém concentra iniciativas que, juntas, somam mais de 5 GW — potência superior ao consumo de dezenas de milhões de residências.

Em janeiro, o ONS negou pedidos de acesso à rede feitos por empresas como Fortescue, Voltalia, Qair, Solatio e Casa dos Ventos. A justificativa foi a saturação das linhas existentes, que enfrentam sobrecarga em determinados horários e não conseguem atender a novos empreendimentos. Os recursos dessas companhias foram negados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no mês passado.

Ainda assim, o setor aposta que, com uma reconfiguração do sistema prevista para este ano, será possível viabilizar entre 1 GW e 1,8 GW adicionais até 2026 — o suficiente para permitir o início das obras e financiamentos. Parte dessa energia já deve ser absorvida por data centers da Casa dos Ventos, que obtiveram parecer favorável do ONS.

A ideia seria conseguir um parecer de acesso menor agora e crescer à medida que a rede permita. A urgência é grande: os créditos do Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC), sancionado pelo presidente Lula, começam a ser distribuídos em 2028 e vão até 2032.

A presidente da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), Fernanda Delgado, afirmou que o setor trabalha com o governo para garantir ao menos 5,8 GW de capacidade de escoamento no curto e médio prazo: 1,8 GW via ONS e 4 GW que dependem de novos estudos da EPE.

Entretanto, o cronograma preocupa. Mesmo que a EPE antecipe os resultados dos estudos para agosto — como quer o setor —, as obras só devem ser entregues em 2031, o que pode atrasar a produção de H2V em larga escala. Governadores de estados como Ceará, Piauí, Pernambuco e Rio Grande do Norte disputam espaço nas prioridades da expansão da rede.

Entre os projetos com decisão final de investimento prevista para 2026, estão os das empresas Fortescue, Voltalia, Qair, Casa dos Ventos e FRV, todos com atuação no Ceará. O Estado, portanto, depende diretamente da expansão da infraestrutura de transmissão para se consolidar como protagonista da transição energética no país.