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ABI defende volta do diploma de Jornalismo e alerta para avanço das fake news e da inteligência artificial

Entidade apoia proposta em discussão no STF e afirma que formação profissional é necessária para fortalecer a apuração, a ética e o combate à desinformação
Entidade alerta para avanço das fake news, dos deep fakes e de conteúdos produzidos com inteligência artificial em ano eleitoral. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), por meio da Presidência e da Comissão de Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos, manifestou apoio à proposta que volta a ser discutida no Supremo Tribunal Federal (STF) para restabelecer a exigência de diploma de nível superior em Jornalismo para o exercício profissional.

Para a entidade, o momento exige atenção diante do avanço da desinformação, das fake news, do uso descontrolado de inteligência artificial, dos deep fakes e de perfis que se apresentam como veículos de comunicação sem compromisso com a apuração e a verdade.

A ABI ressalta que o direito à opinião é garantido pela Constituição, mas defende que a produção jornalística profissional envolve responsabilidades específicas, como apuração rigorosa, checagem de informações, respeito às fontes, transparência e compromisso ético.

ABI defende formação universitária para jornalistas

Segundo a entidade, essas responsabilidades exigem formação humanística, teórica e técnica, que pode ser oferecida de forma plena pelas universidades. Para a ABI, esse processo de formação diferencia o jornalismo profissional da simples circulação de conteúdos.

A associação afirma ainda que pesquisas, sociedades científicas e entidades representativas da categoria alertam, há 16 anos, para os efeitos da ausência da exigência de formação específica. Na avaliação da entidade, a medida teria contribuído para a precarização do mercado de trabalho e dificultado o enfrentamento à desinformação.

O posicionamento ocorre em um cenário no qual as ferramentas tecnológicas ampliaram a capacidade de produção e disseminação de conteúdos falsos, enquanto a sociedade enfrenta desafios para identificar, checar e contextualizar informações.

Entidade cita eleições e risco à democracia

A ABI também chama atenção para o período eleitoral. Segundo a entidade, em anos de eleição, os ataques relacionados à desinformação tendem a se intensificar, representando riscos ao debate público, à lisura do processo democrático e ao direito da sociedade à informação.

A associação afirma que se soma à Intercom, à Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), aos sindicatos de jornalistas e a outras entidades que defendem a revisão da decisão tomada pelo STF em 2009.

Para a ABI, a retomada da exigência do diploma não representa uma restrição à liberdade de expressão, mas uma forma de fortalecer o jornalismo profissional e qualificar o debate público.

ABI convoca jornalistas para mobilização

A entidade reafirmou o compromisso com a verdade, a ética e a democracia e defendeu que um jornalismo qualificado e responsável é fundamental para combater a mentira e a manipulação de informações.

Ao final do posicionamento, a ABI convocou jornalistas brasileiros, da ativa e aposentados, a se filiarem à entidade e participarem do movimento pela retomada da exigência do diploma. A associação encerrou a manifestação defendendo que liberdade de imprensa e responsabilidade profissional devem caminhar juntas.