O padre Zezinho, SCJ, anunciou no último domingo (2) sua saída das redes sociais. Segundo o sacerdote, a decisão foi motivada pelos ataques recebidos após a repercussão de um trecho de entrevista em que comentou sobre o trabalho do frei Gilson Azevedo, CMES.
As informações são do portal ACI Digital.
Na entrevista, padre Zezinho aconselhou o religioso a ser “gentil com o povo” e criticou o que considera um modo “agressivo” de pregar. Apesar das ressalvas, destacou que o trabalho de frei Gilson contribui para a Igreja ao incentivar a oração entre os fiéis.
José Fernandes de Oliveira, conhecido como padre Zezinho, pertence à Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos). Natural de Machado (MG), nasceu em 8 de junho de 1941, ingressou no seminário aos 11 anos e foi ordenado sacerdote em 21 de setembro de 1966, nos Estados Unidos.
Reconhecido como um dos pioneiros da música católica contemporânea no Brasil, padre Zezinho é autor de canções como Maria de Nazaré, Um Certo Galileu, Amar como Jesus Amou, Oração pela Família, Utopia, Estou Pensando em Deus e Mãe do Céu Morena.
Em 2026, lançou o livro A graça que a graça tem, pela editora Paulinas, além da primeira biografia autorizada, Apenas um Cidadão do Infinito, escrita por Gabi Bonvechio.
Entrevista gerou repercussão
As declarações que motivaram a repercussão foram dadas durante entrevista ao canal Jornada Infinita, gravada na ExpoCatólica 2026 e publicada no YouTube em 26 de julho.
A conversa abordou os 85 anos de vida do sacerdote, seus 60 anos de ministério, além de temas como catequese, política, diálogo e comunicação. Participaram os jornalistas Rodrigo Alvarez, Carlos Renê Belo e Felipe Bueno.Durante a entrevista, Carlos Renê Belo perguntou qual conselho padre Zezinho daria a frei Gilson.
“Seja gentil com o povo. Não seja agressivo quando fala com o povo”, respondeu o sacerdote.
Questionado por Rodrigo Alvarez se acreditava que o frei adotava esse comportamento, padre Zezinho respondeu afirmativamente e atribuiu essa característica à formação recebida. “Eu também fui educado a dizer a verdade sem machucar. Eu posso discordar e concordar sem machucar o outro, porque o outro existe, ele é pessoa. Uma frase que uso muito nas minhas pregações é: ‘o outro, o outro, o outro. Depois, eu'”, afirmou.
Ao ser perguntado se o trabalho de frei Gilson faz bem à Igreja, padre Zezinho respondeu que sim. “Ele ensina a orar, isso é uma coisa que o mundo precisa”, declarou.
Na sequência, voltou a criticar a forma como o religioso se dirige aos fiéis. “O modo agressivo com que ele fala com o povo, os erros do povo. Você pode corrigir uma pessoa sendo gentil. Padre tem que ser gentil mesmo que discorde, porque o outro está sofrendo, ele é machucado. Ele veio para aquela igreja para quê? Para ser xingado?”, afirmou.
