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Governo Lula articula contato com Trump após EUA classificarem PCC e CV como organizações terroristas

Ministro da Fazenda confirma que presidente deve telefonar para o americano nos próximos dias; preocupação central é evitar sanções ao sistema financeiro brasileiro
Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo brasileiro entrou em estado de alerta após os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. Em entrevista ao Jornal O Globo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve conversar com o presidente norte-americano Donald Trump nos próximos dias para tratar das consequências da decisão.

O objetivo do contato é buscar diálogo com a administração norte-americana para evitar que a medida resulte em sanções contra instituições financeiras, empresas nacionais ou estruturas consideradas estratégicas, como o Pix. As conversas também devem envolver ministros dos dois países. Durigan, no entanto, foi evasivo ao ser questionado sobre quando o telefonema ocorreria, enquanto parte do entorno do presidente manifestou resistência a um contato neste momento.

A decisão americana foi anunciada na última quinta-feira (28) pelo Departamento de Estado. O PCC e o CV foram incluídos em duas listas: Terroristas Globais Especialmente Designados e Organizações Terroristas Estrangeiras. A medida foi anunciada dois dias depois de o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) se reunir com Trump na Casa Branca. Flávio atribui a ele e ao irmão Eduardo Bolsonaro influência direta na decisão.

Em resposta, ministros da gestão Lula se reuniram na sexta-feira no Palácio do Planalto para discutir a reação do Executivo brasileiro. Participaram do encontro os ministros da Casa Civil, Miriam Belchior; da Fazenda, Dario Durigan; das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira; e da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias.

O Brasil considera as facções como organizações criminosas e não reconhece a medida unilateral americana. Durigan defendeu o fortalecimento da cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado, afirmando que o foco deve estar na apreensão de armas, fuzis e drogas sintéticas que chegam ao Brasil pelos Estados Unidos. Segundo o ministro, a classificação pode elevar a percepção de risco do país entre investidores internacionais, com impactos negativos sobre a economia brasileira.