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André Figueiredo destitui Cid Gomes e retoma comando do PDT no Ceará; veja reações

Foto: Divulgação

O presidente nacional do PDT, deputado federal André Figueiredo, anunciou na manhã desta segunda-feira, 2, a destituição do senador Cid Gomes do comando estadual da sigla e volta a assumir a presidência do PDT no Ceará. Com isso, André retoma o controle da legenda em níveis estadual e federal. A atitude é uma repercussão da reunião do diretório estadual ocorrida na última sexta-feira, 29, que acabou com troca de acusações e clima tenso entre as partes. André disse que ouviu, antes da decisão, o ex-ministro Ciro Gomes e o presidente licenciado do PDT, Carlos Lupi.

Também participaram do momento o presidente do diretório municipal de Fortaleza, Roberto Cláudio, o prefeito José Sarto e deputados estaduais que fazem oposição a Elmano na Casa: Queiroz Filho, Antonio Henrique e Cláudio Pinho.

Em comunicado nesta manhã, Figueiredo elencou os motivos da retomada antecipada. “Pedi licença da direção do partido com três premissas básicas. Uma era o avanço de uma pacificação interna. Dois era a não emissão de carta de anuência para qualquer companheiro e, três, nenhuma aproximação com o Governo Elmano [PT] sem uma prévia conversa entre eu, Lupi, Cid e Elmano. Lamentavelmente o que nós vimos foi que tivemos cada vez mais dificuldades na pacificação. Foi emitida uma carta de anuência para o presidente da Assembleia, Evandro Leitão, sem uma conversa com a direção nacional do partido“, destacou.

“Na última sexta-feira [29] já se vislumbrava que seria pautado o apoio ao Governo Elmano. Nós mostramos uma resolução da direção nacional que, até mesmo a participação de filiados do partido em governos que não ajudamos a eleger, precisava ser discutido com a direção nacional“.

No fim de semana, Cid Gomes cumpriu, enquanto presidente interino, uma missão de pacificação no Sertão Central com prefeitos filiados ao PDT. Ele chegou na madrugada deste domingo, 1º, em Fortaleza. Estavam previstas outras agendas nesse sentido em todas as regiões do Estado. Cid ainda não se pronunciou sobre o caso.

REUNIÃO

A reunião do diretório estadual do partido na última sexta foi marcada por agressões verbais e empurra-empurra entre os correligionários. Cid presidia a reunião quando colocaram em pauta a sugestão de votação de uma moção de apoio ao governo Elmano. Um grupo, com cerca de 10 pessoas ligadas a Ciro Gomes, então, reagiram, e Cid perdeu o controle do encontro. Os maiores ataques ao senador foram feitos por Roberto Viana, militante pedetista.

Antes de encerrar a sessão, Cid se comprometeu a convocar uma reunião para ‘lavar a roupa suja’ de 2022. “Esperava recuperar o tempo e executar um novo projeto, mas se querem discutir o passado, vamos discutir”, externou, dizendo que foi um erro não apoiar a reeleição de Izolda Cela em 2022. André, logo após o encontro, classificou o episódio como “ditadura”. “Infelizmente, não terminou bem. Vamos tomar decisões porque não dá para conviver com ditaduras dentro da PDT”, disse, na oportunidade. Em comunicado nesta segunda, o deputado federal voltou a repercutir a situação.

“Uma dos momentos mais tristes da história do PDT. Não recorde de uma reunião [do partido] que tenha terminado de forma tão lamentável. Não dá pra gente continuar convivendo com todo esse desarranjo institucional e o desrespeito com companheiros que respondem nacional por um movimento. Ouvimos muito, conversamos com companheiros dos diretórios regional, municipal e resolvemos voltar”.

REPERCUSSÃO

O presidente da Assembleia Legislativa, Evandro Leitão, disse que Cid foi “vítima da insensatez e da arbitrariedade que vêm dominando o comando do PDT nos últimos meses”. Em processo de saída do partido, o parlamentar já disse se sentir “perseguido” pela direção da sigla.

Pelas redes sociais, o líder do governo Elmano na Assembleia, deputado Romeu Aldigueri (PDT), manifestou “completa e irrestrita solidariedade” a Cid. “Liderança máxima do PDT no Estado, responsável por todo o sucesso de formação de novos líderes e pela referência nacional e internacional da educação cearense que surpreendeu todo o Brasil, o senador Cid Gomes foi retirado do lugar onde tentava construir o diálogo, a unificação partidária, apaziguar ânimos e fazer avançar o projeto de estado sonhado por várias gerações”, destacou.

“Importante ressaltar que o pensamento de fortalecer a unidade partidária liderada pelo senador Cid Gomes representa aproximadamente 80% dos membros do Diretório. A democracia interna não está sendo respeitada, lamentavelmente”.

O deputado estadual Osmar Baquit (PDT) também manifestou “irrestrita solidariedade” ao correligionário, dizendo que Cid foi “vítima de um golpe baixo e covarde por parte da direção nacional”. “Ingratos. Foi no governo Cid Gomes que o PDT teve maior espaço. Ocupando secretaria e viabilizando deputados a assumir vaga na câmara federal. Esse mesmo PDT do Ceará é o mesmo que passou a campanha passada para presidente da República chamando o atual presidente Lula de ladrão, e que o mesmo faz parte de uma quadrilha. Pois mesmo assim, o PDT nacional não só apoia o presidente Lula, como participa do ministério com o presidente licenciado Carlos Lupi. É muita hipocrisia. O PDT do Ceará se nega a apoiar o governo do Elmano mesmo ocupando 3 secretarias. A democracia no PDT é da boca pra fora”, disse.

“É lamentável que o senador Cid Gomes, pela sua história política no Ceará, ex-governador com quem tive a honra de trabalhar, seja tratado de forma tão desrespeitosa por companheiros do próprio partido. Expresso aqui minha total solidariedade e respeito a este homem público de inquestionável importância”, apontou, por sua vez, o líder do bloco encabeçado pelo PT na Casa, De Assis Diniz (PT).