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Aliados de Sarto veem “perseguição política” a Fortaleza em projeto do passe livre na RMF

Aliados do prefeito José Sarto (PDT) na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) criticaram o governo Elmano de Freitas (PT) por não incluir Fortaleza entre os municípios que serão beneficiados pelo Programa VaiVem Livre. A iniciativa, que visa oferecer transporte público gratuito na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) a pessoas de baixa renda com passagens de ida e de volta entre as cidades e a Capital, foi apresentada nesta semana na Casa.

O deputado Cláudio Pinho (PDT), um dos parlamentares pedetistas que apoiam Sarto, cobrou que o Governo inclua Fortaleza entre os Municípios beneficiados. Na avaliação do parlamentar, não incluir a Capital se trata de uma “perseguição”. A proposta, conforme Pinho, tem um grande alcance social, mas é preciso aprimorá-la e avaliar o motivo de os fortalezenses não estarem sendo beneficiados pela gratuidade.

“Se o fortalezense consegue um emprego em Caucaia, esse não terá o direito da gratuidade do VaiVem? A mensagem do Governo exclui Fortaleza do benefício. O que o fortalezense fez contra o atual Governo para não ter esse direito?”, questionou.

O pedetista afirmou ainda que a matéria precisa do empenho de todos os deputados na avaliação e aprimoramento do projeto. “Não podemos nos omitir e trabalhar para aprovar a inclusão do benefício. O fortalezense não pode ficar de fora. Fortaleza é o município que mais arrecada impostos e contribui com geração de emprego e renda. Não se pode deixar levar por brigas políticas”, pontuou.

Sobre a “perseguição” por questões políticas, o parlamentar pontuou que a “perseguição” vem apenas de um lado, já que o Município não teria deixado de atender, por exemplo, os pacientes oriundos do Interior que buscam atendimento nas unidades públicas de saúde geridas pela Prefeitura. Ele apontou ainda que o Governo do Estado cortou o repasse que ajudava a custear o preço da passagem de ônibus na Capital.

O deputado Queiroz Filho (PDT) também elencou pontos que sustentam a tese de “perseguição” do Governo do Estado com o município de Fortaleza, como o corte do subsídio que era dado para a passagem de ônibus; repasses para o Instituto Dr. José Frota (IJF); repasse para o programa Nossas Guerreiras; e a não entrega de ambulância à cidade. A deputada Dra. Silvana (PL) e o deputado Sargento Reginauro (União) também lamentaram a exclusão de Fortaleza do programa. Silvana, por sua vez, pediu para subscrever uma emenda ao projeto sugerindo a inclusão da Capital na matéria, que ainda passará pelas Comissões para chegar à tramitação na Alece.

DEFESA

O deputado Guilherme Sampaio (PT), por sua vez, defendeu que o VaiVem Livre terá um impacto significativo para a maioria da população e dos trabalhadores da Região Metropolitana. “Me parece que, no que diz respeito à cobrança da oposição, o projeto é só Vai, o Vem está faltando. A maioria dos deslocamentos do povo de Fortaleza, que eu saiba, são para Fortaleza, não é daqui para Maracanaú, Caucaia, Aquiraz ou Eusébio. Mas, se estão tão preocupados, por que não pedem ao prefeito Sarto para implantar o passe livre em Fortaleza?”, disse.

Recentemente, a Prefeitura implementou a gratuidade no transporte público para estudantes. A medida começou a valer na última segunda-feira (13).

Guilherme Sampaio assinalou ainda que o governador Elmano de Freitas está honrando a promessa feita durante sua campanha no primeiro ano de mandato, enfrentando as dificuldades financeiras causadas por leis eleitoreiras que retiraram recursos do ICMS. Ele destacou o comprometimento do gestor estadual em implementar o VaiVem Livre, beneficiando cerca de 90 mil cearenses que no dia a dia vêm trabalhar e estudar na capital cearense. “O prefeito Sarto passou três anos para aprovar um passe livre diário para os estudantes. Em um ano pré-eleitoral”, criticou.

“Aí vão dizer que essa população que vem prestar serviço, gerar imposto, fortalecer a cadeia econômica não é beneficiar Fortaleza? Que governo municipal fraco é esse que depende em tudo do Governo do Estado? Imagino se esse prefeito fosse governador quando Bolsonaro era o presidente, o desastre que seria. Com Bolsonaro presidente, Camilo Santana saiu com 80% de aprovação”, lembrou.

FALA POLÊMICA

Também repercutiu na Alece discurso do vereador Carlos Mesquita (PDT), líder do prefeito José Sarto na Câmara Municipal de Fortaleza, sobre cortes ao Centro Regional Integrado de Oncologia (Crio). Na última semana, o vereador afirmou que o corte de recursos foi “proposital” para ver “se o Estado se mancava e pagava a parte dele”. Guilherme Sampaio, que é pré-candidato a prefeito em 2024, disse que a denúncia é “grave”.

“Um fato gravíssimo, uma denúncia que não partiu do Partido dos Trabalhadores, nem de nenhum membro da base governista nesta Assembleia, tampouco dos vereadores na Câmara Municipal. Quem disse foi o líder do prefeito na Câmara Municipal, a liderança do prefeito na Câmara Municipal, de que a Prefeitura fez corte proposital nos recursos para pacientes de câncer do Centro Regional Integrado de Oncologia (Crio) para pressionar o Governo do Estado“, frisou. O deputado ressaltou ainda a importância de avaliação por parte do Ministério Público e da Câmara Municipal.

Em aparte, Cláudio Pinho solicitou a presença do secretário de Saúde do Município, Galeno Taumaturgo, para esclarecer na Assembleia as falas do vereador. Na oportunidade, o deputado Guilherme Sampaio sugeriu também a presença do vereador Carlos Mesquita.

Com colaboração de Rodrigo Rodrigues