Integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), responsável por apurar descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), aprovaram nesta quinta-feira (2) um requerimento solicitando a prisão preventiva de Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). Ele havia deposto na terça-feira (30 de setembro) e chegou a ser detido pelo colegiado por falso testemunho, mas foi liberado em seguida.
O pedido, apresentado pelo relator, deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), prevê a prisão preventiva ou a adoção de medidas cautelares contra o dirigente. A solicitação será encaminhada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
A Conafer aparece entre as entidades que mais movimentaram valores a partir de descontos em aposentadorias e benefícios, segundo as investigações.
MOVIMENTAÇÕES SUSPEITAS
Alfredo Gaspar citou dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou diversas transferências fracionadas para pessoas físicas e jurídicas ligadas a Carlos Roberto Ferreira Lopes. Para o deputado, as movimentações sugerem um ciclo de lavagem de dinheiro.
O relator afirmou ainda que o dirigente não conseguiu explicar, durante o depoimento, a origem legal dos valores transferidos nem a regularidade dos supostos negócios realizados.
CÍRCULO DE APOIO
De acordo com Alfredo Gaspar, mais de R$ 140 milhões foram transferidos pela Conafer para pessoas relacionadas a Cícero Marcelino, assessor de Carlos Roberto Lopes. Há suspeita de que as transações fossem realizadas diretamente pelo colaborador em aplicativo bancário, sob supervisão do dirigente.
O relator avaliou que há indícios suficientes para sustentar a autoria e provas consistentes que justificam a prisão preventiva.
ARGUMENTOS DO RELATOR
O parlamentar acrescentou que existe risco de fuga por parte do investigado, o que reforça a necessidade de prisão. Alfredo Gaspar também afirmou que Carlos Roberto Lopes poderia dar continuidade às práticas ilícitas, mantendo a associação irregular de aposentados e o pagamento de comissões a captadores de filiados.
Outro ponto citado foi a amplitude dos supostos serviços da Conafer, que, segundo o depoente, pode indicar a continuidade de lavagem de dinheiro e desvio de finalidade em outras áreas da entidade.
CONVOCAÇÕES
Além do requerimento de prisão, a CPMI aprovou convocações de ex-servidores do INSS. Entre eles está o ex-titular da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, afastado do cargo após a deflagração da Operação Sem Desconto pela Polícia Federal.
A comissão também convocou Thaisa Hoffmann Jonasson, esposa do ex-procurador Virgílio de Oliveira Filho, e Maria Paula Xavier da Fonseca Oliveira, irmã dele. Ambas são investigadas por suposto recebimento de recursos de empresas ligadas às associações suspeitas. Os depoimentos ainda não têm data marcada.
Com informações da Agência Brasil.
