No Ceará, o setor leiteiro tem sido impactado pela diminuição do valor do litro de leite vendido pelos produtores para as grandes empresas. Como já denunciaram os representantes do setor, o impacto chega a ser de R$ 0,30 por litro, queda de preço que, aliás, não se reflete na venda para o consumidor.
Na próxima segunda-feira (8), será realizada uma audiência na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), na Comissão de Agropecuária (CA). O requerimento, de autoria dos deputados De Assis Diniz (PT) e Felipe Mota (União Brasil), foi atendido pelo presidente do colegiado, Missias do MST (PT).
No momento, deverão ser discutidas medidas para que haja uma solução naqueles que são os principais problemas que envolvem a atual crise, como, além da queda no preço do litro, o monopólio de grandes empresas. “A pretensão é colocar à mesa aqueles que têm condições de buscar solução”, disse De Assis.
Dentre os órgãos públicos e federações presentes, devem estar a Secretaria da Fazenda, a Secretaria do Desenvolvimento Agrário e a Secretaria do Desenvolvimento Econômico, além de entidades como a Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Ceará (Fetraece), Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Estado do Ceará (Fetraf) e o Movimento Sem Terra (MST).
Uma das reclamações dos produtores é de que as grandes companhias estariam descumprindo a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para quem produz leite e derivados no Ceará, caso comprem de pessoas locais.
Em relação aos produtos, aliás, há também críticas de produtores sobre a compra de leite de outros estados, como Pernambuco, Paraíba e Bahia. “Queremos trazer para a mesa a Fazenda, para que tenha ação de fiscalização do leite”, afirmou De Assis.
A proposta de precificação do produto, ainda como completou o petista, seria uma das formas de buscar a solução. Ele frisou, no entanto, que não é algo simples. “Não é uma determinação que será feita amanhã, é um diálogo e precisa ter sensibilização dos dois setores, o patronal e de trabalhadores, mas temos modelos que têm dado certo”.
“Vamos debater, discutir, mostrar os canais e construir pontes necessárias para unir, não queremos dividir”, pontuou o deputado.
O presidente do colegiado, Missias, frisou que é preciso um preço justo, já que os custos da produção são “altíssimos”. Os parlamentares afirmaram não ser justo que as empresas detentoras do monopólio alterem o valor sem diálogo.
No último sábado (30), produtores se manifestaram em Morada Nova. “Tivemos um ato em Morada Nova, com representatividade extraordinária e com sentimento de todos que trabalham na pecuária de leite. Chegou o momento para que se traga à mesa aqueles que são capazes de trazer uma solução”, completou De Assis.
