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Radicais bolsonaristas travam o Congresso e são acusados de novo ataque à democracia

O grupo de parlamentares da extrema-direita obstruiu os trabalhos legislativos em protesto contra decisões do STF, especialmente a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ). Foto: José Cruz/ Agência Brasil

Parlamentares aliados do governo repudiaram a ação de deputados e senadores da extrema-direita que ocuparam as mesas diretoras da Câmara e do Senado nesta terça-feira (5). O grupo extremista obstruiu os trabalhos legislativos em protesto contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ).

COMPARAÇÃO AO GOLPE

Vice-líder da maioria no Congresso Nacional, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) comparou a ocupação ao 8 de Janeiro e classificou a atitude como inaceitável. “Ninguém pode parar pela força a atividade parlamentar”, enfatizou. “Essa ação representa mais um ataque às instituições e uma chantagem contra o País“, completou.

CRISE NO COMANDO

Lindbergh Farias contou ter conversado com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que estava em agenda na Paraíba e antecipou o retorno a Brasília diante da crise. “É responsabilidade do presidente desta casa restabelecer o controle e a ordem. O que houve foi um sequestro do parlamento“, declarou.

PRESSÃO GOLPISTA   

A extrema-direita promete permanecer nos plenários até que os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal aceitem pautar uma anistia ampla para os condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro. O grupo também pressiona pela análise de um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, além do fim do foro privilegiado — o que poderia transferir os processos de Jair Bolsonaro para a primeira instância.

ACAMPAMENTO NO PLENÁRIO

Deputados da ala mais radical do bolsonarismo anunciaram que dormirão no plenário da Câmara em forma de protesto. Colchões e cobertores foram levados ao local. A medida busca manter a ocupação física da mesa diretora e impedir a retomada das sessões legislativas. Entre os envolvidos estão parlamentares conhecidos por discursos golpistas e por ataques constantes ao STF e ao sistema eleitoral.

PEDIDO DE PUNIÇÃO

Deputados da base governista cobraram punição aos parlamentares envolvidos na obstrução. Para Pedro Campos (PSB-PE), houve desrespeito ao regimento interno e tentativa de paralisar a atividade legislativa. Ele lembrou que o Colégio de Líderes já rejeitou a proposta de anistia aos golpistas.

AÇÃO GRAVE

Tarcísio Motta (Psol-RJ) afirmou que todos os envolvidos devem ser denunciados ao Conselho de Ética. “Já tentamos abrir a sessão mais de uma vez e eles estão impedindo. Fossem maioria, o que não são, ou mesmo sendo minoria, eles não têm esse direito”, criticou.

TRAVANDO O PAÍS

O deputado Lindbergh Farias alertou que o Congresso Nacional precisa votar propostas com impacto direto na economia e no dia a dia da população, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos. “O Brasil tem pressa”, enfatizou.

INTERESSE PESSOAL

A deputada Erika Hilton (Psol-SP) criticou a tentativa de transformar o Congresso Nacional em espaço de defesa de interesses particulares. “Querem colocar os interesses de uma família — de um ex-presidente que articulou um golpe e planejou assassinatos — acima do povo brasileiro. Essa não é a casa da família Bolsonaro. É a casa da democracia“, declarou.

Com informações da Agência Brasil.