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Governo do Ceará promove semana de ações por visibilidade e direitos LGBTQIAPN+ em Fortaleza

Nesta semana, em que se celebra o Orgulho LGBTQIAPN+, a Secretaria da Diversidade do Estado do Ceará promove uma série de ações e eventos voltados para a visibilidade e a garantia dos direitos da comunidade LGBTQIAPN+ cearense. O ponto central da mobilização é a Semana Estadual Luís Palhano Loiola, que integra o calendário oficial do Estado, por meio da Campanha “Ceará da Diversidade contra LGBTfobia”. 

A programação inicia nesta segunda-feira (23), e encerra no próximo domingo (29), contando com palestras, mutirões, aulas abertas, posses de comitês, reuniões, lançamentos e, por fim, a Parada Pela Diversidade Sexual do Ceará.

Instituída pela Lei nº 14.820/2010, a Semana Estadual Luís Palhano Loiola é realizada na última semana de junho e é uma homenagem ao professor e ativista dos direitos LGBTI+, de mesmo nome, vítima de um crime de homofobia em 2008. Formado em Pedagogia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com mestrado e doutorado em Educação, Luís Palhano teve papel fundamental na pesquisa e na militância em prol da diversidade sexual e de gênero no Ceará.

Já a campanha “Ceará da Diversidade contra LGBTfobia” é coordenada pela Secretaria da Diversidade do Ceará, e tem como foco a promoção, proteção e cidadania da população LGBTI+. A iniciativa articula políticas públicas integradas e ações educativas em parceria com diversas secretarias. 

LUÍS PALHANO LOIOLA

Professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), onde coordenou o Núcleo de Estudos Juventude, Educação e Movimentos Sociais, Loiola também foi vice-diretor da Faculdade de Educação de Crateús. Sua trajetória é marcada pela dedicação à promoção da igualdade e ao combate à homofobia.

Apesar do crime que tirou sua vida em 1º de maio de 2008, seu legado segue vivo e inspirador para a luta pela diversidade e pelos direitos humanos no Ceará. A Semana Luís Palhano Loiola é um momento para reforçar o debate, a reflexão e as ações educativas que buscam construir uma sociedade mais justa e inclusiva.

Confira a programação completa:

Segunda-feira (23)

  • 15h: Roda de conversa “Orgulho & Memória: vozes que ecoam história” – Museu do Ceará – Anexo Bode Ioiô (Rua Major Facundo, 584).

Terça-feira (24)

  • 8h às 16h: Acolher da Diversidade em Fortaleza – Praça da Gentilândia;
  • 13h: Abertura do Encontro de Gestores Municipais LGBTI+ do Ceará – Auditório da Reitoria da UFC (Av. da Universidade, 2853);
  • 15h30: Posse do comitê técnico de políticas culturais para a população lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexo – LGBTI+ do Ceará – Auditório da Reitoria da UFC (Av. da Universidade, 2853);
  • 16h: Memórias Vivas: Homenagem às Personalidades 60+ LGBTI+ do Ceará – Auditório da Reitoria da UFC (Av. da Universidade, 2853).

Quarta-feira (25)

  • 9h: Empresas + Diversidade: o papel das empresas na inclusão da população LGBTI+ no mercado de trabalho – Auditório Sebrae – Av. Monsenhor Tabosa, 777 – Centro

Quinta-feira (26)

Todos os eventos no Auditório Centro de Convivência Cisp – Praça do CISP, s/n – Aeroporto, Fortaleza

  • 8h: Audiência Pública em Tamboril – Câmara Municipal de Tamboril – R. Jesuíta Adeodato – Das Pedrinhas, Tamboril;
  • 9h: Aula Magna do programa Empodera+: fortalecimento das ações educativas na promoção dos direitos e enfrentamento à LGBTfobia;
  • 10h: Lançamento da Cartilha de Enfrentamento à LGBTfobia
  • 11h: Coletiva de Imprensa sobre Plano Operacional de Segurança da XXIV Parada pela Diversidade Sexual do Ceará*

Sexta-feira (27)

  • 9h às 16h: Caravana da Integração (SPS) – Comunidade Quilombola de Bom Jardim – Tamboril, com presença da Unidade Móvel LGBTI+ Dandara Ketlely;
  • 10h: Reunião dos Gestores Municipais LGBTI+ do Ceará – Museu da Imagem e do Som do Ceará – Av. Barão de Studart, 410 – Meireles, Fortaleza;
  • 11h: Lançamento do Curso Cidadania e Controle Social das Contas Públicas (Escola de Contas do TCE Ceará) – Museu da Imagem e do Som do Ceará – Av. Barão de Studart, 410 – Meireles, Fortaleza;
  • 14h: Visita dos Gestores Municipais LGBTI+ do Ceará ao Centro Estadual de Referência LGBT+ Thina Rodrigues – R. Valdetário Mota, 970 – Papicu, Fortaleza – CE

28 de junho, sábado

  • 8h às 17h: Mutirão da Diversidade no Ambulatório Antônio Ciríaco – R. Gomes Brasil, 555 – Parangaba, Fortaleza – CE;
  • Noite: Iluminação de equipamentos públicos do Governo do Estado com as cores do Orgulho LGBTI+

29 de junho, domingo

  • 15h: XXIV Parada pela Diversidade Sexual do Ceará

PARADA PELA DIVERSIDADE

Em homenagem a uma das históricas e pioneiras defensoras dos direitos LGBTQIAPN+ no estado do Ceará, Thina Rodrigues, a Parada Pela Diversidade, é “fruto de uma construção coletiva, a identidade dessa edição traz o tema da Parada e seus aspectos, a visibilidade LGBT diante do avanço da extrema-direita no país […] e nossa maior e urgente reivindicação, o direito de envelhecer das pessoas LGBTs, sobretudo das trans e travestis”, destaca a equipe do evento, em nota nas redes sociais.

Com as ativistas Viviane Venâncio e Labelle Rainbow como madrinhas, a programação gira em torno da pergunta “Quem chora por nós?”, e acontece na Avenida Beira Mar.

DADOS ALARMANTES

O Ceará, no entanto, ainda é um estado violento para a comunidade LGBTQIAPN+. O Estado é o segundo do país onde mais se mata pessoas trans, e o primeiro nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, conforme o último Dossiê Assassinato e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2024, da Associação Nacional de Travestis e Transexuais, a ANTRA.

Leia também: 9 a cada 10 estudantes LGBTQIAPN+ já foram vítimas de violência verbal em 2024

Embora a redução de 16% nos casos de assassinatos em 2014 em relação ao ano de 2023, o cenário permanece alarmante. Em território cearense, entre 2017 e 2024, foram 107 assassinatos. Apenas em 2024, foram 22.

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Em âmbito nacional, o Brasil segue hoje, pelo 16º ano consecutivo, como o país que mais assassina pessoas trans no mundo, consoante a pesquisa. Foram mais de 1350 notificações ao longo do ano, haviam sido catalogados pelo menos 137 casos de pessoas trans assassinadas. A maior concentração dos assassinatos foi observada na região nordeste, com 49 assassinatos, mais de 40% dos casos, ainda segundo o mesmo relatório.