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Ainda sobre anistia

Algumas questões sobre o PL da anistia.

E se a anistia for aprovada na Câmara? Nesse momento, o presidente Hugo Motta deve agir com muito discernimento.

1) Aprovar o perdão para os vândalos e baderneiros – alguns deles ainda hoje aguardam por intervenção militar – seria como dizer: amigos queridos, vocês são inocentes, apenas quebraram e depredaram o patrimônio público, em um contexto de insurreição contra o resultado das eleições de 2022, mas isso não tem importância, estão todos livres.

Além disso, outros revoltados com futuros resultados de eleições, sabendo da anistia, poderão fazer coisa semelhante ou pior. Imaginem: em futuros pleitos, os que não aceitarão o resultado, além do quebra-quebra, podem invadir os principais prédios dos poderes da República e ali montar guarda, ansiando por uma intervenção de alguma coisa, que possa mudar o resultado indesejado. E se avisados de que devem desocupar os espaços públicos e que vão ser punidos pelo que destruíram, mostram eles tranquilamente a lei da anistia, que no passado perdoou seus semelhantes.

2) Falam em anistia humanitária para mães e pais de família, para pessoas idosas, incapazes de dar um golpe de Estado. Ora, esses mesmos indivíduos, agora inculpáveis, agiram com bastante violência naquele famigerado domingo de janeiro de 2023. Eles não pensaram em preservar e em respeitar tudo aquilo que destruíram, obras da humanidade e da civilização.

3) Com a anistia aprovada, seria instaurada uma crise entre os poderes, a instabilidade entre as instituições, coisa pela qual anseiam os bolsonaristas mais radicais, quando pedem intervenção militar, quando bradam contra as urnas. A tensão entre Legislativo e Judiciário chegaria até que ponto? Quem daria a última palavra?

Para os deputados direitistas e bolsonaristas, que devem estar sofrendo pressão em suas bases, a luta pela aprovação do PL, tendo como heróis a cabeleireira do batom e senhorinhas indefesas, dialoga positivamente com o eleitorado – 2026 está batendo na porta.

4) A pergunta que não quer calar: uma vez aprovada, a anistia beneficiará a quem? Só os envolvidos no 8 de janeiro? Ou os líderes serão agraciados também?