A crise se instaurou no PDT Ceará desde as últimas Eleições, em 2022, momento em que o partido se dividiu em dois grupos internos. O deputado federal Idilvan Alencar (PDT) compõe o grupo aliado do senador Cid Gomes (PSB, mas filiado ao PDT até fevereiro deste ano). Mesmo compondo a ala que pretende deixar a sigla, o parlamentar afirmou, em entrevista ao OPINIÃO CE, que não vai judicializar sua saída do PDT devido a uma “responsabilidade” que possui com o seu mandato. Ainda conforme Alencar, ele possui um entendimento “semelhante” ao da Executiva Nacional pedetista, de que o mandato pertence ao partido.
Como pontuou o deputado, que tem a educação como sua principal pauta, ele não se considera desconfortável ao PDT, e citou até ter uma relação “muito cordial” com o presidente interino do partido, em nível nacional, o também deputado federal André Figueiredo (PDT-CE). “Eu não vou entrar na Justiça, não vou estar na mão de um julgamento do TRE [Tribunal Regional Eleitoral] ou do TSE [Tribunal Superior Eleitoral]”.
“Falar em mudança de partido, para mim, é super prematuro e inconsequente. Aliás, esses 187 mil votos que tive, para este mandato, não pertencem a mim não. Eu tenho uma delegação de gente muito importante que são professores. Não vou arriscar meu mandato parlamentar, que estou lá todo dia na defesa deles, por motivo A, B ou C”, completou.
Além de Alencar, outros quatro deputados federais e 14 estaduais – dentre titulares e suplentes – do PDT compõem grupo aliado ao senador Cid, que liderava o bloco quando ainda era filiado ao partido. No âmbito estadual, os parlamentares entraram com ação no TRE-CE pedindo a desfiliação da legenda. A Executiva Nacional já afirmou que vai brigar até a última instância para prosseguir com os mandatos que, por Lei, pertencem ao partido. No entanto, a legislação eleitoral permite com que os parlamentares se desfiliem de sua sigla, como explicou o OPINIÃO CE.
APOIO À IZOLDA E INÍCIO DA CRISE NO PDT
Como lembrou o deputado federal, durante a entrevista, o rompimento no PDT veio após a escolha do partido por apoiar o ex-prefeito de Fortaleza e atual presidente do PDT Fortaleza, Roberto Cláudio, como o candidato do partido nas Eleições de 2022, para o Governo do Estado. À época, Izolda Cela (atualmente no PSB) era a governadora, mas não foi escolhida pelo seu partido para concorrer à reeleição. Conforme Idilvan, o que foi feito com ela vai “entrar na história do Estado”.
“Escantearam a mulher. Que coisa louca. Onde já se viu um governador não concorrer à reeleição? Vocês têm algum caso nesse País? A mulher estava pronta lá, com a aprovação da população, daí um grupo de pessoas decide que ela não vai ser a candidata, está aí no que é que deu. Está aí o resultado”, disse.
Segundo o parlamentar, que foi à votação interna do partido para escolher o nome que representaria o PDT nas Eleições junto à Izolda, as pessoas não só votaram contra ela, mas “celebraram” sua derrota. “Na hora de votar, o povo estava gritando pelo nome do Roberto Cláudio. Foi uma coisa tão ostensiva e desnecessária. Esse povo estava celebrando o quê? O partido desabou naquele dia”.
Izolda, que vem sendo levantada como possível candidata para a Prefeituras de Sobral e Fortaleza, também contaria com o apoio de Idilvan para disputar o pleito. “A Izolda é competitiva para qualquer posto, de presidente da República à vereadora de qualquer município deste Estado”, afirmou. A ex-governadora, atual secretária executiva do Ministério da Educação (MEC), já chegou a pontuar, no entanto, que ainda não há “nenhuma conversa ou proposta em relação à candidatura”, como pontuou durante o seu evento de filiação ao PSB.
