O conflito interno no PDT Ceará já se estende desde as Eleições de 2022. Nesta sexta-feira (2), no dia de retorno dos trabalhos legislativos na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), deputados aliados ao senador Cid Gomes (a partir deste domingo no PSB) afirmaram que o processo de desfiliação pode se estender até 2026, quando abrirá a janela partidária para os deputados estaduais. Com ação tramitando no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) para que não percam seus mandatos na Casa Legislativa, um parecer negativo da Justiça faria com que os parlamentares tivessem que recorrer à janela, daqui a dois anos.
A deputada estadual Lia Gomes (PDT), irmã do senador Cid, afirmou que “pelos trâmites que se apresentam atualmente”, a saída dos 14 deputados pedetistas – nove em exercício e cinco suplentes – do partido poderia vir apenas em abril de 2026, quando abre a janela partidária. “Tem muita água para correr debaixo da ponte para vermos para onde cada um vai”, disse. Ainda conforme a parlamentar, as Eleições Municipais de 2024 podem ser um fator a influenciar nos destinos partidários de cada agente político do grupo. Ela afirmou desconhecer quantos parlamentares pretendem seguir o senador, que já manifestou o desejo de contar com todo o grupo na mesma legenda.
Leia mais | Cid revela “frustração” com pedido de Evandro para se filiar ao PT e defende destino único
O também deputado Sérgio Aguiar (PDT) foi outro a citar as janelas partidárias. Questionado pelo OPINIÃO CE se pretende seguir com o senador Cid ao PSB, ele pontuou que sim, e que tal filiação viria “ou pela justiça eleitoral ou na época da janela partidária”. O secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, deputado licenciado Salmito Filho (PDT), também comentou sobre o processo de desfiliação, e disse que pretende acompanhar o ex-governador do Ceará ao partido socialista “no momento em que for adequado”.
ANULAÇÃO DE ANUÊNCIAS “AJUDA OS DEPUTADOS NO TRE”
No último dia 26 de janeiro, a comissão provisória que assumiu o PDT Ceará neste mês de janeiro, sob presidência do ex-senador Flávio Torres, decidiu por anular as cartas de anuência concedidas pelo senador Cid – enquanto presidente do Diretório Estadual em 2023 – aos deputados estaduais. Guilherme Landim (PDT), líder do partido na assembleia, afirmou, ao OPINIÃO CE, que tal ação pode ajudá-los na ação que tramita no TRE-CE.
“Acho que nos ajuda muito, porque diziam que as cartas não valiam. Se não valiam, para que anular? Então é um sinal de que estavam válidas. É mais um ato de perseguição mostrando a falta de ambiente que o partido vem nos colocando nos últimos meses”, completou.
Leia mais | Em meio a conflito interno, liderança do PDT na Alece pode virar outro imbróglio jurídico; entenda
Salmito seguiu na mesma linha do líder da sigla. “Não sou advogado, mas a minha impressão, como leigo, é de que quando o PDT faz isso [anula as anuências], ele reconhece que as cartas de anuência tinham valor. Inicialmente, não reconheceram, e nós respondemos no Judiciário. Quando você começa errado, se não tiver a grandeza e a humildade de reconhecer o erro, você vai errar cada vez mais para tentar reforçar e não reconhecer que você teve um erro grave de início”, afirmou.
