O delegado de Aurora, Paulo Hernesto Pereira Tavares, afastado após agredir uma mulher, voltou a ter sua prisão decretada pela Justiça, nesta quinta-feira (23). Investigado por crime de trânsito, ameaça e lesão corporal, o agente de segurança estava descumprindo medidas cautelares, atrapalhando as investigações e manipulando o teor das declarações e depoimentos de testemunhas, segundo o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).
O caso
No último dia 11 de novembro, Paulo Hernesto envolveu-se em acidente de trânsito e agrediu fisicamente uma mulher, em Aurora, com um tapa no rosto. A ação foi praticada na frente de policiais militares, filmada por populares e veiculada nas redes sociais. O delegado foi encaminhado à Delegacia Regional de Brejo Santo, entretanto, a autuação em flagrante foi por embriaguez ao volante. Ele foi liberado após pagar R$ 6,6 mil de fiança.
O MPCE, oficiante no plantão judiciário, representou pela prisão preventiva e pedido de cassação da fiança de R$ 6 mil anteriormente definida pelo delegado plantonista. Porém, no dia seguinte, na audiência de custódia, o investigado foi posto em liberdade.
O agente de segurança foi solto em audiência de custódia, sob a condição de cumprir medidas cautelares pessoais, como ficar em casa à noite e aos fins de semana, além de estar proibido de frequentar bares e outros estabelecimentos e ambientes onde sejam servidas bebidas alcoólicas.
Porém, segundo o promotor de Justiça Ramon Brito Cavalcante, titular da Promotoria de Justiça da Comarca de Aurora, ele tem interferido nas investigações, assediado testemunhas e atuado para manipular o teor dos testemunhos por meio de coação. As tentativas de manipulação, segundo o MPCE, foram constatadas em áudios de WhatsApp.
No requerimento pela prisão, por exemplo, Paulo teria interferido na lavratura de atos oficiais de condução do flagrante. “Diante dos fatos, o MP estadual representou pela prisão preventiva do investigado e pela suspensão integral de todos os acessos do agente de segurança aos sistemas policiais”, justificou o promotor.
Para o Ministério Público, além do crime de trânsito, pelo menos três pessoas foram perseguidas em via pública e ameaçadas em sua integridade física ou psicológica, pelo agente. Em outro vídeo, Paulo teria sido flagrado urinando em uma viatura da Polícia Civil, “em sinal de descaso com a instituição e com a Justiça”, reforçou o promotor.
