O Diretório do PDT Ceará se reúne nesta terça-feira (14) para discutir os rumos partidários, prováveis desfiliação de prefeitos e destino dos nomes que tentam deixar a legenda. Após uma sequência de capítulos em disputa pelo poder da sigla no Estado, há expectativa para que 53 prefeitos, aliados do senador Cid Gomes — ainda presidente do PDT no Ceará —, sinalizem para deixar o PDT. O encontro será no Hotel Gran Marquise, às 15h, onde são esperados cerca de 200 correligionários. O OPINIÃO CE apurou que alguns gestores municipais aguardam apenas a sinalização de Cid para definir seus próximas passos.
Gestores sem partido também participam da reunião. Os quadros precisam definir suas agremiações até o primeiro semestre de 2024 para que possam concorrem nas Eleições municipais.
Em 2020, o PDT elegeu 67 prefeitos. Após alguns gestores trocarem de sigla, o partido conta, hoje, com 56 gestores filiados no Ceará. Com a maioria aliada a Cid, a expectativa é de que eles estejam dispostos a acompanhar o senador, caso ele vá para outro partido. As possibilidades são altas, já que a cúpula nacional do PDT já abriu um processo interno para expulsar o parlamentar cearense.
Em reunião do diretório estadual na última semana, em que mais de 20 cartas de anuência foram solicitadas por parlamentares do partido, Cid chegou a afirmar que a decisão de saída do partido só seria tomada coletivamente. À época, o senador afirmou que “tem que seguir cada um dos passos à exaustão, sempre tomando decisões coletivas”.
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RESPOSTA DA NACIONAL
A eventual saída em massa do partido, no entanto, foi proibida pela Executiva Nacional. Sob o comando do deputado federal André Figueiredo (PDT-CE) — líder da outra ala partidária da legenda no Ceará —, a Nacional afirmou que cassará os mandatos dos parlamentares que tentem deixar a sigla. “As cartas de anuência são nulas, desde o presidente [da Alece], Evandro Leitão. Vamos recorrer”.
“Foram emitidas cartas de anuência até para quem não precisa, os prefeitos não precisam. Qualquer parlamentar que se utilizar de uma carta de anuência nula para tentar deixar o PDT, o partido vai pedir, de imediato, o mandato daquele parlamentar por infidelidade partidária”, afirmou.
Na ocasião, além de anular as cartas de anuência, o PDT Nacional interveio na direção do Diretório cearense da sigla, destituindo Cid do comando pedetista. A decisão, entretanto, não durou muito, já que no dia seguinte, a Justiça, por meio do juiz Cid Peixoto, da 3ª Vara Cível da comarca de Fortaleza, suspendeu a intervenção. “Defiro parcialmente o pedido de tutela de urgência e determino a imediata suspensão do Processo Ético-Disciplinar nº 006/2023, bem como da intervenção aprovada na reunião da Executiva Nacional, realizada em 27 de outubro de 2023”. Ainda sem parecer definitivo, cabe recurso à decisão.
Com isso, a mesa diretora do partido no Ceará, eleita no mês de outubro, prossegue no comando da sigla. Confira:
- Presidente: Cid Gomes;
- 1º vice-presidente: Cirilo Pimenta;
- 2º vice-presidente: Marcos Sobreira;
- Secretário-geral: Salmito Filho;
- Secretário adjunto: Julio Brizzi;
- Tesoureiro: Robério Monteira;
- Tesoureiro Adjunto: Mauro Filho;
- Consultor Jurídico: David;
- Vogal: Silvana Sales;
- Vogal: Carlos Veneranda;
- Líder do partido: Guilherme Landim.
ENTENDA O CONFLITO
Desde as eleições para o Governo do Ceará em 2022, quando o PDT decidiu apontar a candidatura do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (PDT) para o posto no Palácio da Abolição, o partido está dividido. Do PDT, era esperado que a então governadora Izolda Cela (hoje sem partido), fosse o nome escolhido pela sigla para a disputa. A decisão, então, tomou grandes proporções e ocasionou no desmembramento da legenda em duas alas.
Se de um lado o senador Cid conta com a maioria do partido — 10 de 13 deputados estaduais, quatro de cinco deputados federais e cerca de 53 de 56 prefeitos —, Figueiredo conta com o apoio de grandes lideranças pedetistas, como o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PDT), o prefeito de Fortaleza, José Sarto (PDT), e o próprio Roberto Cláudio.
