O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PDT) voltou a fazer duras críticas ao irmão, o senador Cid Gomes, que vive um imbróglio no PDT contra o grupo de Ciro, encabeçado pelo presidente nacional interino, deputado André Figueiredo. Participando de evento na Câmara Municipal de Fortaleza nesta sexta-feira (10) ao lado de aliados, Ciro criticou a proximidade do irmão com o grupo petista que detém o poder no Estado, caracterizando o movimento como “fisiologismo”. Ciro alfinetou, ainda, aliados de Cid e que tentam deixar a agremiação: “Que ele [Cid] leve os descartáveis para onde ele quiser ir, com muito boa sorte, aqui vai ficar com quem tem compromisso com a visão de mundo do PDT”.
Rompidos politicamente desde as Eleições 2022, quando Ciro apoiou a candidatura de Roberto Cláudio para o Governo do Estado enquanto Cid ficou ao lado Elmano de Freitas, no segundo turno, a relação entre os irmãos vem esfarelando nos últimos meses com fortes declarações públicas, principalmente por parte de Ciro.
“O senador não percebe uma coisa que, enfim, eu o protegi disso a vida inteira, de todos os conflitos. A traição, isso é um problema dele”, afirmou. “Existe no Ceará e isso é compreensível, eu compreendo isso com muita humildade, um partido político que chama-se Palácio da Abolição, que é aquele grupo de pessoas que estão com o poder. Eu compreendo com o meu coração, já fui chefe desse partido, só que, como eu conheço a história do Ceará, não misturei minha ideia, meu programa, meu ideário, meus valores morais, meus valores ideológicos com este pragmatismo vil. É fisiologia. É uma sobrevivência vil. É o que está acontecendo aqui”.
Ciro também criticou diretamente o líder do governo Elmano (PT) na Assembleia Legislativa, deputado Romeu Aldigueri, do grupo de Cid. “Ele esteve no governo de Lúcio Alcântara [ex-governador], era fanático. Depois, Cid ganha a eleição e ele, de repente, aparece se dizendo cidista. Depois, Camilo ganha a eleição e ele passa a ser camilista. Elmano ganha a eleição e ele vira líder do Governo. Quando algum ‘mequetrefe’ ganhar a eleição no futuro, ele vai tá lá, certo? Eu não estou censurando, eu compreendo isso, agora, isso não é jeito de você organizar um partido para formular uma proposta, um ideal de Estado, de País, de mundo”.
O OPINIÃO CE tentou contato com o deputado, via assessoria de imprensa, e aguarda retorno.
ACUSAÇÕES
Ciro também comentou sobre interpelação judicial movida pelo Estado pedindo explicações sobre acusações feitas pelo ex-ministro durante encontro do PSDB em Fortaleza, na última semana. A ação foi protocolada na 14ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Fortaleza, no dia 1º de novembro. “Nunca recuei daquilo que falei e é mentira que estejam me processando. Eles [Governo] fizeram uma interpelação judicial inepta porque é em nome do Estado, como se eu tivesse atacado o Ceará. A última vez que ouvi falar nisso foi com Luiz XIV, cuja cabeça foi degolada lá na Revolução Francesa”, comparou.
“Quando um governante não tem compromisso com os maus feitos, ele agradece as denúncias, ele apura. Veja o que eu fiz no meu governo. Sofri durante quatro anos duas denúncias de corrupção, vê se eu processei o deputado que me denunciou. Afastei os secretários preventivamente, mandei apurar imediatamente com toda a severidade e um deles voltou desagravado, porque era mentira, e o outro foi pra polícia responder por inquérito, porque era verdade a denúncia. Foi o que eu fiz”, finalizou.
Também nesta sexta, André Figueiredo afirmou que não facilitará a saída em massa dos parlamentares pedetistas que tentam deixar a sigla. André destacou que a direção pedirá, judicialmente, o mandato daqueles que tentarem deixar o PDT com “cartas de anuência nulas”. Nesta semana, a executiva nacional anulou anuências dadas pelo então presidente estadual do partido, Cid Gomes, que foi destituído do cargo nesta quinta (9).
