Agentes do Batalhão de Polícia de Meio Ambiente (BPMA), da Polícia Militar do Ceará (PMCE), recolheram, na última terça-feira, 25, em Nova Olinda e Santana do Cariri, na região do Cariri, 17 fósseis, sendo um possível pedaço de coluna de Pterossauro, réptil que habitou a Terra há milhões de anos e que evoluiu para ter grandes asas, chegando a mais de 12 metros de envergadura. Também foram encontrados 15 fósseis de peixes e um de vegetal.
A apreensão ocorreu durante ações de fiscalização preventiva contra o tráfico de fósseis em minas e pedreiras localizadas nos municípios cearenses. O material recolhido foi entregue ao Museu de Paleontologia de Santana do Cariri para estudos e posterior exposição.
“O objetivo principal dessa fiscalização é combater o tráfico ilegal de fósseis, possibilitando que novas gerações possam conhecer e estudar esses materiais que é de suma importância para o desenvolvimento da região”, conforme o comandante da 2ª Companhia do BPMA, 1º Tenente Rodrigo Barbosa.
COMERCIALIZAÇÃO PELA INTERNET
No começo deste ano, o OPINIÃO CE denunciou o comércio de fósseis comercializados de forma ilegal pela internet. Um pesquisador identificou que fósseis — a maioria de insetos — da Bacia do Araripe, encontrados no município de Nova Olinda, estavam sendo vendidos em uma loja virtual nos Estados Unidos. Um deles, de uma libélula, está custando US$ 3.900, o equivalente a 19 mil reais. A compra e venda dos bens paleontológicos é proibida no Brasil e saída deles ocorreu de forma ilegal.
O OPINIÃO CE, com apoio do paleontólogo da Universidade Regional do Cariri (Urca), Álamo Feitosa, identificou que existiam, na ocasião, pelo menos 216 fósseis à venda na loja, localizada no estado americano de Missouri. “Alguns raros, bem conservados. Insetos que retém pigmentação original em variações em suas asas”, explicou o pesquisador. As peças são do período Cretáceo, há cerca de 108 milhões de anos.
Em 2022, nossa reportagem mostrou a venda irregular de outra fóssil encontrado no Cariri, o Axelrodichthys araripensis. A peça estava sendo comercializada no site Ebay por um vendedor alemão, que pedia €$ 3.900, cerca de R$ 21.500. Além dela, a reportagem identificou na mesma plataforma outros 55 itens, vendidos por pessoas do Reino Unido e Estados Unidos. Na época, o MPF foi informado e iniciou um procedimento de investigação.
Em outubro de 2021, pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (Urca) encontraram outra espécie de peixe fóssil colocado à venda, de forma ilegal, no portal europeu Etsy, identificado como a espécie Tharrhias Araripes, a peça estava sendo comercializada por um perfil chamado FossilsMeteorites, que também oferecia outros 548 artigos.
