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Ceará inicia última semana de março com previsão de chuvas em todas as macrorregiões

O Ceará inicia a última semana de março, segundo mês da quadra chuvosa (fevereiro a maio), com possibilidade de chuvas em todas as macrorregiões, segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Entre às 7h deste sábado, 25, e 7h deste domingo, 26, primeiro dia da semana, choveu em mais de 70 cidades cearenses, com destaque para Beberibe (41 mm), Fortaleza (38 mm) e Acopiara (33 mm).

Também registraram bons volumes os municípios de Aquiraz (32 mm), Granja (31 mm), Crateús (30 mm), Catunda (30 mm) e Pentecoste (28 mm).

Nas últimas semanas, algumas cidades cearenses enfrentaram uma série de transtornos devido às fortes precipitações. Até o momento, ao menos 9 municípios decretaram situação de emergência após registros de deslizamentos de terra, ruas alagadas e danificadas: Altaneira, Antonina do Norte, Aratuba, Guaramiranga, Itapipoca, Missão Velha, Uruburetama, Umirim e Itapajé.

Em Umirim, por exemplo, as aulas chegaram a ser suspensas para preservar a segurança dos alunos. Só em Aratuba, Itapipoca e Uruburetama, cerca de 250 famílias precisaram ser removidas de locais de risco. Em Itapipoca, o corpo de um jovem de apenas 17 anos foi encontrado neste sábado, 25, após uma semana desaparecido em um rio da região.

Devido à situação nos municípios cearenses, os deputados estaduais aprovaram, em sessão realizada no último dia 22, um projeto de lei do Poder Executivo que visa reforçar ações e políticas públicas estaduais para o enfrentamento de situação de emergência ou de estado de calamidade pública declaradas. A proposta determina, entre outras coisas, que o Estado seja responsável pela concessão de aluguel social às famílias desabrigadas ou em áreas de risco.

PREVISÃO

Segundo a Funceme, o Ceará deve apresentar céu nublado a parcialmente nublado com chuva em todas as macrorregiões até terça-feira, 28, pelo menos. Conforme a Fundação, para esta segunda, 27, são esperadas condições de céu nublado a parcialmente nublado com eventos de chuvas em todas as macrorregiões, sendo as precipitações mais expressivas no noroeste e sul do Ceará.

As chuvas devem ocorrer devido à formação de áreas de instabilidade oriundas do oceano Atlântico e do leste do Nordeste, além de sistema de brisa e efeitos locais, como combinação de temperatura e umidade, além da interação da circulação dos ventos com o relevo.

Até este domingo, a Funceme já havia registrado um acumulado de 223.9 mm em todo o território, somente no mês de março. O volume representa um desvio positivo de 10.1% em relação à normal climatológica observada no período: de 203.4 mm. Em fevereiro, o Estado oscilou 2.9% para baixo em relação ao volume normalmente observado: de 115.2 mm. Em janeiro, o desvio foi positivo, de 112.1 mm (98.7 mm é a normal para o mês). Os valores estão dentro da média histórica.

RECARGA HÍDRICA

O Ceará tem, atualmente, 36% de recarga observada nos 157 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos, considerados estratégicos. Em igual período de 2022, este volume era de 26,7%. Além disso, o Estado conta com 35 açudes sangrando e outros 11 com volume acima dos 90%. Em 26 de março do último ano, eram 13 reservatórios sangrando e 7 acima dos 90%.

Além disso, a situação dos maiores açudes do Ceará também apresentou evolução. O Castanhão apresenta 21,62% de recarga (13,62 em 2022). Já o Orós, segundo maior do Estado, tem atuais 49,68% frente aos 32,35% do ano anterior. O Banabuiú, terceiro maior, tem a situação mais preocupante, com apenas 11,85% de abastecimento. Em 26 de março de 2022, o cenário era ainda pior: 8,22%. Isso mostra as dificuldades que a bacia vem passando com a crise hídrica dos últimos anos.