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Com 31,4% de recarga, Ceará supera em mais de 10% volume de mesmo período de 2022

Foto: Divulgação/Cogerh

Passados 10 dias de março, os reservatórios cearenses apresentam um volume acumulado de 31,4%. O total representa um aumento superior a 10% do acúmulo observado em igual período de 2022 – 21,6%. No total, o Estado tem 5,83 bilhões de metros cúbicos de água armazenados. Os dados são da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) consultados pelo OPINIÃO CE nesta sexta-feira, 10.

O cenário, mesmo melhor que o de 2022, ainda apresenta alguns pontos que necessitam de atenção, principalmente em algumas regiões do Ceará.

Bruno Rebouças, diretor de operações da Cogerh, aponta que a distribuição de precipitações no Ceará não é regular quanto a tempo e espaço, portanto, é comum que algumas regiões apresentarem reservatórios com volumes totais inferiores que a média do Estado. Exemplo disso são as Bacias Hidrográficas do Sertão de Banabuiú, do Sertão de Crateús, do Curu e do Médio Jaguaribe, que apresentam volume totais dos açudes de 9,5%, 13%, 16,5% e 18,9%, respectivamente.

Nas Bacias Hidrográficas do norte do Ceará, entretanto, a situação está mais confortável. As bacias do Coreaú (72,6%), do Acaraú (66,3%) e do Litoral (61,6%), todas apresentam mais de 50% do volume dos reservatórios. No sul do Estado, nas bacias do Alto Jaguaribe e do Salgado, os volumes totais dos açudes chegam a 44,7% e 53,6%, respectivamente. As demais bacias, do Sertão da Ibiapaba (50,4%), das Metropolitanas (62,7%) e do Baixo Jaguaribe (71%), apresentam volumes acumulados de mais de 50%.

Ao fim da quadra chuvosa, o governo do Estado vai planejar a operação de cada reservatório em reuniões com os colegiados dos Comitês de Bacias, no qual serão realizadas simulações dos cenários de uso da água em cada Bacia Hidrográfica. De acordo com Bruno Rebouças, “o intuito é garantir uma operação segura para todos e atender as demandas prioritárias estipuladas pela legislação”.

RESERVATÓRIOS SANGRANDO

Atualmente, o Ceará tem 6 reservatórios com volume máximo, segundo o Portal Hidrológico da Cogerh analisado às 14h30 desta sexta-feira, 10 (Valério, Itapajé, Quandú, Acarape do Meio, Germinal e Tijuquinha) e outros 9 com quase 100% (São Vicente, Caldeirão, Muquém, Gameleira, Aracoiaba, Pesqueiro, Junco, Rosário e Ubaldinho). Neste ano, o Ceará finalizou o mês de fevereiro, primeiro da quadra chuvosa, com a melhor reserva hídrica em 10 anos.

Além disso, o prognóstico divulgado pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) para este trimestre (março, abril e maio) mostra 40% de probabilidade para chuvas acima da normalidade, 40% em torno dela e 20% abaixo da normal observada no período (482 mm).

Segundo Meiry Sakamoto, gerente de meteorologia da Funceme, uma das dificuldades encontradas deverá ser justamente a irregularidade das chuvas. Isso pode dificultar, por exemplo, a recarga hídrica de alguns reservatórios considerados estratégicos no Ceará. “Poderão ocorrer períodos de mais chuva, menos chuva e estiagem”, explica. “Outro ponto importante é a irregularidade espacial na distribuição. Esse fato também está sendo aprovado pelos modelos de previsão”, frisa.

“Igual probabilidade para acima da normal ou em torno da normal refletem as incertezas envolvidas neste prognóstico. Essas incertezas estão relacionadas principalmente a condições oceânicas. Em relação ao Oceano Pacífico, podemos observar que as temperaturas das águas ainda permanecem ligeiramente abaixo da normal, no Oceano Pacífico, característica de uma La Niña de fraca intensidade”, aponta.