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24 de julho de 2024

Valorizar a coleta seletiva impacta positivamente diversos setores da sociedade

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Simples ato de dar destinação correta a resíduos traz melhorias para a sociedade, uma vez que impulsiona qualidade de vida e fomenta economia local

Priscila Baima
priscila.baima@opiniaoce.com.br

Maria Lucimar, coordenadora geral da Associação dos Catadores do Jangurussu (Ascajan) (Fotos: Natinho Rodrigues)

Com valor econômico altíssimo, o lixo de uma cidade gera renda e também lucro para muitos atores envolvidos com a gestão de resíduos sólidos. Saber descartar corretamente o lixo para a reciclagem, então, é a bola da vez. Na Capital, pelo menos dez associações de catadores de resíduos sólidos e 90 Ecopontos.

Mas quem, afinal, está por trás de tanta latinha, vidro, papel, papelão e garrafas pets recolhidos nas ruas e avenidas e recebendo dinheiro com isso?

Desde os nove anos de idade trabalhando com lixo, Maria Lucimar, de 43 anos, atual coordenadora geral da Associação dos Catadores do Jangurussu (Ascajan), lidera os 57 catadores que trabalham no local. Atualmente, a associação recolhe mais de 30 mil kg de lixo reciclável por mês. O número alto, porém, não é diretamente proporcional à renda que cada um recebe mensalmente.

“Nós dependemos do material que chega. A última quinzena tinha pouco material. Tiramos abaixo de R$ 300 por pessoa. Quando a quinzena está em alta, tiramos de R$ 400 a R$ 700 cada. Mas nós não temos contrato e nem vínculo empregatício”, explica.

Ainda de acordo com a coordenadora, para além da baixa demanda de material que chega na associação, principalmente por conta dos efeitos da pandemia com empresas fechando, o valor de cada produto caiu muito. Atualmente, o papel branco custa R$ 0,15; o papel misto, R$ 0,13; o papelão R$ 0,50; o vidro, R$ 0,15, latas de alumínio, R$ 7; garrafa pet, R$ 2; e garrafas plásticas, R$ 1,10. Todos os valores se relacionam ao quilo.

“Se as autoridades chegassem mais perto das nossas associações e fizessem parcerias entre as associações e os Ecopontos, ajudaria muito mais.” Em nota, a Prefeitura de Fortaleza informou ao OPINIÃO CE que destina três galpões para associações do perfil: Ascajan, no Jangurussu; Rede de Catadores, no Bonsucesso; e Maravilha, no Vila União; e que, por meio do projeto “Franquias Sociais”, a gestão municipal beneficia associações localizadas nas proximidades de Ecopontos redirecionando os resíduos recicláveis para esses locais.

Algumas dessas associações são SOCRELP, no Vila do Mar, Rede de Catadores, no Bonsucesso, e Mulheres em Cena, na Serrinha.

ECOPONTOS NA CAPITAL
Desenvolvido pela Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP) e gerido pela Ecofor Ambiental, concessionária da Prefeitura responsável pela coleta e tratamento de lixo, o programa Ecopontos possui 90 equipamentos distribuídos na Cidade.

Ao longo de 2021, primeiro ano da gestão do prefeito José Sarto, as unidades recolheram 155 mil toneladas de recicláveis, entulhos, restos de poda e móveis velhos. Desde o início da operação, 460.363 toneladas de resíduos foram recebidas.

A partir dos equipamentos, a população tem acesso ao programa Recicla Fortaleza, que gera desconto na conta de energia pela troca de resíduos recicláveis. Além disso, os carroceiros podem se cadastrar no programa E-Carroceiro, que beneficia exclusivamente os carroceiros pelo descarte correto de entulhos, gerando crédito para ser utilizado nos estabelecimentos comerciais cadastrados de cada região.

Ano passado, foram realizados 2.711 novos cadastros, sendo 2.267 no Recicla Fortaleza e 444 no E-Carroceiro, que, juntos, distribuíram R$ 3.178.091,10 para usuários cadastrados. No entanto, a transação do dinheiro funciona de forma diferente e nem sempre é revertida em reais.

De acordo com a secretaria, ao deixar seus resíduos recicláveis no local, o cidadão pode optar por receber o valor em desconto na conta de energia ou em bonificação, por meio do Banco Palmas, que pode ser transferida para outra conta bancária e revertida em dinheiro.

Já os carroceiros realizam o cadastro no E-Carroceiro também nos Ecopontos e recebem o crédito pelo Banco Palmas, por meio do Programa E-Dinheiro. Para cada carroceiro, é aberta uma conta digital na Plataforma E-dinheiro e são distribuídos cartões com chip e-dinheiro.

Portanto, o pagamento é feito digitalmente para a conta de cada carroceiro, mas eles só podem fazer compras nos comércios ao redor dos Ecopontos credenciados pelo Instituto E-dinheiro. Há também a possibilidade das compras serem feitas usando o celular, pelo aplicativo.

Em nota, a secretaria informou também que “os recicláveis coletados são comercializados e retornam para a cadeia produtiva dando origem a um novo produto ou a uma nova matéria-prima.” Os volumosos coletados nos Ecopontos são destinados ao Aterro Sanitário Metropolitano Oeste de Caucaia (Asmoc).

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