O Ceará conta, atualmente, com 109 comunidades quilombolas, das quais mais de 60 são reconhecidas pela Fundação Palmeiras. Mesmo com mais de 25 mil pessoas quilombolas, a população e as próprias comunidades são pouco conhecidas do público cearense. Com o objetivo de dar visibilidade ao tema, o fotógrafo e pesquisador Rogério Rodrigues iniciou um projeto para documentar quilombos no Ceará. A ação adquiriu recursos pela Secretaria da Cultura do Ceará (Secult), por meio da Lei de Incentivo à Cultura, a Lei n.º 18.012, sancionada em 2022, e recebeu o nome “Quilombos do Ceará – Este povo existe, sim”. Um total de 16 comunidades está no seu itinerário, em todos os cantos do Estado.
Por meio da iniciativa, serão realizados 16 cursos de fotografia básica com 28 horas/aula em cada quilombo. Até o momento, oito comunidades já receberam as aulas. A expectativa é de que 160 jovens sejam beneficiados. As fotos, aliás, serão divulgadas em 16 exposições fotográficas e em livros. Segundo o site oficial do projeto, 1.000 livros serão publicados e distribuídos gratuitamente para as bibliotecas públicas, comunitárias e em todos os quilombos cearenses.
“Promover reparação, justiça e o devido respeito às tradições, à beleza, à cultura e aos direitos de todos os povos de coexistirem em paz”, aponta texto no site oficial da iniciativa.
O projeto tem apoio do Instituto Bat Brasil e de órgãos como a Comissão Estadual dos Quilombolas Rurais do Ceará (Cerquice), o Banco do Nordeste (BNB), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a Universidade Federal do Ceará (UFC), a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) e, a Secretaria da Cultura do Ceará (Secult-CE) e a Secretaria da Igualdade Racial do Ceará (SIR). De novembro de 2025 a fevereiro de 2026, aliás, será realizada uma exposição no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (Mauc), com entrega dos exemplares do projeto, que serão impressos pela editora da UFC. As comunidades quilombolas que fazem parte do projeto são:
- Quilombo Encantados do Bom Jardim, em Tamboril;
- Quilombo Nazaré, em Itapipoca;
- Quilombo Água Preta, em Tururu;
- Quilombo Caetanos de Capuan, na Caucaia;
- Quilombo do Cumbe, em Aracati;
- Quilombo Sítio Veiga, em Quixadá;
- Quilombo Serra do Evaristo, em Baturité;
- Quilombo 03 irmãos, em Ipueiras;
- Quilombo Carnaúba II, em São Benedito;
- Quilombo Batoque, em Pacujá;
- Quilombo Alto Alegre, em Morrinhos;
- Quilombo Arrudas, em Araripe;
- Quilombo Lagoa dos Crioulos, em Salitre;
- Quilombo Base, em Pacajus;
- Quilombo Alto Alegre, em Horizonte;
- Quilombo Corrego de Ubaranas, no Aracati.
Em todas as cidades, serão convidados uma média de 800 estudantes para que eles conheçam as exposições. “Preservar seu patrimônio material e imaterial, juntamente com seus saberes culturais e artes, é de extrema importância para a sobrevivência cultural do estado e das comunidades. A população preta e parda no Ceará é maioria”, ressalta o pesquisador.

TOMBAMENTO DO SÍTIO HISTÓRICO DO QUILOMBO ENCANTADOS
Além do projeto “Este povo existe, sim”, Rogério participará de uma ação piloto para o tombamento do sítio histórico do Quilombo Encatados do Bom Jardim, em Tamboril, onde vivem 65 famílias. No local, como explicou o fotógrafo, serão construídos equipamentos como o Museu Quilombola, a Escola de Artes Visuais Quilombola e a Escola de Cultura Alimentar Quilombola. A iniciativa, com parceria encaminhada com a UFC e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ainda não tem data para ser lançada.
Nos dias 14, 15 e 16 de maio, aliás, uma comitiva composta por representantes do Iphan, da UFC, o engenheiro responsável pelo projeto e a deputada estadual Larissa Gaspar (PT), seguirá até a comunidade para a realização de uma visita técnica. Conforme Rogério, antes de levar o projeto para o Iphan, houve conversa com a comunidade para que dessem aval ao tombamento. “Esse projeto é piloto, aí esse projeto dando certo, será levada a proposta para outros quilombos”, ressaltou.
