O diretor e ator Lamarck Dias, natural do município de Aurora, no Interior do Ceará, atingiu recentemente 1 milhão de visualizações no YouTube com seu último filme, Os Olhos de Alice, obra independente que narra temas do cotidiano de sua cidade natal. Lançado em 2018, o média-metragem conta com 1.081.506 visualizações na plataforma. O número marca um passo importante na trajetória do artista, que já prepara o lançamento de seu novo longa-metragem, Uma Voz Chamada Francisca, previsto para o final deste ano.
O cineasta, que também está em pré-produção de uma série, reitera a importância de produções audiovisuais produzidas para o desenvolvimento de territórios do Interior. “Nosso cinema traduz de maneira naturalista a vida e os desafios brasileiros, com temas que convidam ao debate e à reflexão”, afirma Dias.
FILME
Os Olhos de Alice narra a história de Alice (Lua Oliveira), uma jovem que enfrenta abusos e adversidades diárias no município de Aurora. A trama explora também a realidade de um prostíbulo. Com a presença de nomes como Marcos Wainberg e Miguel Nader, o filme conta com roteiro assinado por Lamarck Dias e Alan Marinho, produção de Cheyenne Alencar e direção de Daniel Rizzi. Além disso, o elenco é composto por atores locais, que contribuem para a representação autêntica da vida no Interior do Estado.
Para Lamarck Dias, produzir filmes independentes, em especial fora dos centros urbanos, ainda é uma realidade desafiadora. “O cinema de interior é um verdadeiro desafio para seus produtores e, ao mesmo tempo, uma solidificação de sonhos”, destaca o cineasta.
CINEMA NACIONAL
Conforme o diretor, o cinema nacional, especialmente o produzido no Ceará, é um importante veículo de representação social e cultural, e apresenta uma identidade cultural muito própria, enraizada nas realidades brasileiras.
“Desde as décadas de 70, 80 e 90, o cinema brasileiro desenvolveu uma maneira única de se expressar, refletindo as complexidades do cotidiano do nosso povo. Exemplos como o terror de José Mojica Marins, o eterno Zé do Caixão, até as produções atuais que ganham força, mostram que o Brasil tem uma expressividade própria e marcante. Em obras como Pacarrete, de Allan Deberton, e Cabeça de Nêgo, de Déo Cardoso, podemos ver histórias simples, mas que capturam a essência da vida brasileira”, continua.
O CINEASTA

Lamarck Dias é um ativista cultural dedicado ao desenvolvimento social através da arte. Para os próximos projetos, ele e sua equipe têm o objetivo de expandir a visibilidade do cinema cearense, levando suas obras para grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo e firmando o cinema de interior como uma potência no cenário nacional.
“Além de ser um meio de expressão cultural, o cinema também é um fator econômico: ele movimenta a economia, gera empregos e leva a arte para novos públicos. É essencial que o poder público enxergue o potencial do cinema como uma força de transformação social e valorização das regiões do interior do país”, conclui Lamarck
