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14 de julho de 2024

Um adeus ao mestre Tarcísio Sardinha, que faleceu nesta segunda

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Causa da morte foi falência múltipla dos órgãos. Sardinha era violonista, arranjador, compositor, multi-instrumentista e foi mestre de vários músicos em seus mais de 40 anos de estrada

David Mota
Especial para OPINIÃO CE
david.mota@opiniaoce.com.br

Artista estava internado desde janeiro deste ano, em um hospital de Fortaleza (Foto: Divulgação)

Faleceu nesta segunda-feira, 25, em Fortaleza, o músico Tarcísio Sardinha, aos 58 anos. Sardinha estava internado em um hospital de Fortaleza desde o dia 9 de janeiro deste ano. A causa da morte foi a falência múltipla dos órgãos. Sardinha também era arranjador, compositor, multi-instrumentista e foi mestre de vários músicos durante os seus mais de 40 anos de estrada.

O artista é considerado um dos maiores nomes da música instrumental, tendo seu dom imortalizado em diferentes áreas da cultura. O músico era tido como referência no choro contemporâneo, mas também era especialista em executar e harmonizar diferentes estilos musicais, sendo um dos profissionais mais completos do cenário musical estudual.

TRAJETÓRIA
Tarcísio de Lima Carvalho nasceu e foi criado por uma família de músicos, mas aos 11 anos começa a aprender sozinho o que já corria em suas veias. Ainda adolescente já era considerado profissional na cena cultural e com apenas 15 anos já participava de grupos de baile e da grande paixão que herdou de seu pai e seu avô, as rodas de choro.

O gênero musical era presença constante na casa de seus familiares e Tarcísio cresceu ouvindo nomes clássicos como Altamiro Carvalho (1924-2012) e Jacob do Bandolim (1918-1969). O apelido de Sardinha foi dado por José Tróglio Filho, amigo e companheiro de Tarcísio no Grupo “O Pixinguinha”, primeiro grupo profissional de choro de Fortaleza, onde foi o criador.

Além do flautista, também faziam parte do grupo nomes importantes da música cearense como Joãozinho do Violão, Macumba, Pedro Ventura e Zivaldo. A referência do apelido foi em alusão ao famoso violonista Aníbal Augusto Sardinha (1915-1955).

Durante a sua longa carreira na música, Sardinha dividiu palco e gravações com grandes nomes da Música Popular Brasileira, como Altamiro Carrilho, Amelinha, Belchior, Dominguinhos, Ednardo, Fagner, Maurício Tapajós, Silvério Pontes, Sílvio Caldas, Yamandu Costa e Zé da Velha.

O mestre também era referência na direção de shows e assinou espetáculos de artistas como Clementina de Jesus, Falcão, Fausto Nilo, Waldick Soriano, Zeca Baleiro, Zé Menezes, Zé Renato, entre outros. Sardinha participou de várias apresentações de choro e roda de samba em Fortaleza, além dos palcos de música popular. Era um verdadeiro agitador cultural na vida musical do Ceará.

O primeiro disco de Sardinha foi gravado em 1999, se intitula “Brasileirando” e está disponível em todas as plataformas digitais de música. Obras como “Carlinhos Patriolino e Tarcísio Sardinha Ao Vivo” (1998) e “Choro” (2008) também fazem parte da sua discografia. A cantora Vannick Belchior, filha de Belchior, foi introduzida na música pelo antigo companheiro musical de seu pai. Vannick se pronunciou sobre a morte do músico.

“O papel de Sardinha na minha vida não foi só de ele me colocar na música. Isso já seria muito grande, mas o papel dele na minha vida foi muito maior, porque eu tinha questões internas e pessoais relacionadas à música devido a ausência do meu pai. E o Sardinha, com toda afetividade e espontaneidade, me abriu as portas da música através de muitas curas que ele me proporcionou, sendo ali um pai adotivo para mim”, contou.

O ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, utilizou das redes sociais para lamentar o falecimento de Tarcísio Sardinha. “A cena musical brasileira perde hoje um dos seus mais talentosos músicos. Nos despedimos do multi-instrumentista Tarcísio Sardinha, que tão bem representou a virtuosidade da nossa música cearense no cenário nacional”, publicou acompanhado de uma foto sua com Sardinha.

A Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (Secultfor) publicou uma nota de pesar. “A Secultfor reconhece o relevante trabalho de Sardinha para a música, a cultura e a formação de gerações de músicos no Ceará, e se solidariza com seus familiares, amigos e admiradores. O samba e o choro de Fortaleza sentirão a falta do mestre”, diz a nota. ma perda irreparável para a música brasileira.

A Secretaria de Cultura do Ceará (Secult-CE) disse que “Sardinha era o mestre de inúmeros músicos, além de professor e arranjador com uma trajetória extensa na música. Um violonista como poucos no país. Seu talento nos palcos e nas salas de aula veio de pequeno.”

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