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TRE confirma cassação de prefeito de Santa Quitéria por vínculo com facção

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE) confirmou a cassação do mandato do prefeito de Santa Quitéria, José Braga Barrozo, o Braguinha (PSB), e do vice-prefeito Gardel Padeiro (PP) nesta terça-feira (1º). A decisão confirma sentença da 54ª Zona Eleitoral, no último mês de maio, que havia apontado abuso de poder econômico e envolvimento direto com facção criminosa, o Comando Vermelho, nas eleições de 2024. 

Após a decisão assinada pelo juiz eleitoral Magno Gomes de Oliveira, da 54ª Zona Eleitoral de Santa Quitéria, os gestores entraram com recurso, que foi analisado e reprovado por unanimidade pela corte do TRE-CE. Os dois também ficam inelegíveis pelo período de oito anos.

No município do sertão cearense, deverá ser realizada eleição suplementar, a ser marcada pelo próprio TRE. Por conta do afastamento da chapa vitoriosa desde o início do ano, a cidade, atualmente, é gerida pelo filho do prefeito, o presidente da Câmara Municipal, Joel Barroso (PSB).

Segundo o desembargador Luciano Nunes Maia Freire, relator do caso no Tribunal, o caso de Santa Quitéria é “o mais grave e ultrajante” que a Justiça Eleitoral já se deparou

LEMBRE O CASO

Eleito em 2024, Braguinha foi impedido de tomar posse em 1º de janeiro, dia em que foi preso. Durante a eleição, conforme detalhado por investigação, a organização criminosa atuou para beneficiar a candidatura do gestor.

Entre os crimes identificados estão ameaças diretas, inclusive ao candidato opositor à Prefeitura, Tomás Figueiredo (MDB); ameaça a moradores; e uso indevido de recursos públicos para atender aos interesses do grupo criminoso, que, conforme apontam os autos, atuou em favor da chapa vencedora do pleito do ano passado.

Nos autos, foram identificadas pelo menos 16 pichações em que são veiculadas ameaças a eleitores e apoiadores do opositor Tomás Figueiredo. Frases como “Se apoia o Tomás vai entrar no problema com a tropa do Paulinho Maluco”, “Quem apoia o Thomas vai entrar no problema com a tropa” e “Bala no 15” foram registradas e ajudaram no embasamento da decisão do juiz.

“Paulinho Maluco” é o apelido de Anastácio Ferreira Paiva – conhecido como “Doze” -, líder do CV na região do Sertão Central. Dois servidores da Prefeitura de Santa Quitéria, três meses antes das eleições, viajaram ao Rio de Janeiro para negociar com Anastácio. Na ocasião, foi levado um veículo para a organização criminosa.