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Sindicato dos vigilantes acusa Carmelo de fake news e diz que vai entrar na Justiça por vídeo

O presidente do Sindicato dos Vigilantes do Ceará (Sindivigilantes Ceará), Daniel Borges, acusou o deputado estadual Carmelo Neto (PL) de fake news por vídeo divulgado em suas redes sociais, em que relata ter sido agredido por um vigilante de uma escola. Daniel afirma ainda que vai entrar na Justiça contra o parlamentar.

O presidente sindical afirmou que Carmelo não postou o vídeo inteiro e que vai fazer a defesa do trabalhador na Justiça.

No vídeo, Daniel mostra uma carteira de trabalho e diz que, se o deputado soubesse o que era uma CLT, ele teria um comportamento diferente. “Mas não corre não, com medo disso aqui não. Corre não”, afirmou, mostrando a CLT à câmera. “Porque isso aqui é para trabalhadores de verdade que têm coragem para trabalhar”, acrescentou.

De acordo com o presidente do Sindivigilantes, o profissional de segurança não tinha responsabilidade de permitir a entrada de Carmelo na escola. Conforme ele, não havia diretor ou representante da unidade de educação no local.

“Esse vigilante cumpre ordem. Eu expliquei para o deputado, mas o deputado continuou insistindo em fazer o procedimento. Foi levado à delegacia, lá, teve uma conversa novamente com o delegado, mas ele continuou insistindo em fazer o procedimento e, depois, eles soltam o vídeo na rede social”, afirmou.

Segundo o representante do sindicato, o deputado cria atrito para gerar likes. “Vou dar um exemplo do porquê disso: ele levou a única pessoa, que era o trabalhador vigilante que estava naquela escola, para uma delegacia. A escola ficou sem ninguém, né? Todas as viaturas que estavam lá, tinham várias, foram todas embora e estavam depois lá na delegacia”, explicou.

Daniel afirma que o profissional de vigilância, em nenhum momento, levantou a voz contra Carmelo. “Quando o trabalhador foi encostando o portão para não estar discutindo com o deputado, o deputado botou o braço, intimidando o trabalhador”, disse.

Ele aponta ainda que o legislador mentiu ao dizer que o diretor da escola foi à unidade de educação. “O diretor foi na delegacia, ele não esteve na escola. Porque, se ele estivesse na escola, era para ter mandado prender o diretor, porque não estava deixando o deputado fazer o serviço, mas não o vigilante”.

O presidente sindical também afirmou que deve ser apurado quem eram os seguranças que estavam ao lado de Carmelo, que, segundo ele, “sumiram” ao se dirigirem à delegacia.

Entenda o caso

Em suas redes, Carmelo divulgou um vídeo em que diz ter ocorrido uma versão diferente. O deputado afirma estar realizando uma fiscalização em um prédio público que estaria inativo e que, após relatar ter sido agredido durante a ação, contatou a polícia. Carmelo também registrou um Boletim de Ocorrência (BO) contra o vigilante.

Demais profissionais de segurança privada já se manifestaram contra a ação de Carmelo. O vigilante patrimonial Hiago Lima, em vídeo, criticou o deputado. Segundo ele, o profissional abordado pelo legislador possui mais de 15 anos de experiência e apenas cumpria ordens da empresa contratante, seguindo protocolos previstos para a função.

Ainda conforme a denúncia, a unidade escolar estava fechada, e cabia ao vigilante zelar pela ordem e pelo cumprimento das normas do posto de serviço. Qualquer atitude fora desse padrão, segundo os colegas, poderia resultar em sanções administrativas por parte da empresa responsável.

Hiago classificou a atitude do parlamentar como um “vacilo” com toda a categoria e cobrou uma retratação pública.