O estado do Ceará registrou redução de 43% nos assassinatos de pessoas LGBTQIAPN+ entre 2023 e 2025, consolidando-se como referência nacional em transparência, produção de dados e políticas públicas de proteção. O resultado evidencia mudanças estruturais na forma de enfrentar a violência contra essa população.
Os indicadores refletem um modelo de gestão baseado em informação qualificada, atuação integrada e enfrentamento direto ao apagamento institucional das violências. A estratégia prioriza dados confiáveis e ações preventivas nos territórios mais vulneráveis.
A atuação articulada da Secretaria da Diversidade (Sediv), da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp) permitiu a adoção de metodologia estruturada para identificação e catalogação dos crimes. Esse trabalho fortaleceu a capacidade de monitoramento e resposta do Estado.
DADOS E PROTEÇÃO
O maior volume de registros de denúncias, nesse cenário, não indica necessariamente aumento da violência, mas maior eficiência no combate à subnotificação. A confiança nos canais institucionais também cresceu com a ampliação das políticas públicas.
A criação da Secretaria da Diversidade, em 2023, possibilitou a qualificação dos mecanismos de denúncia e o aprimoramento do registro de identidade de gênero e orientação sexual nos boletins de ocorrência. Parcerias com a segurança pública resultaram na portaria (0644/2023) que estabelece tratamento prioritário para crimes violentos contra pessoas LGBTQIAPN+ como crimes de ódio.
A implantação do Observatório dos Crimes por LGBTfobia, do painel dinâmico de monitoramento da homotransfobia e o fortalecimento da Delegacia de Repressão aos Crimes por Discriminação (DRCD) passaram a compor um novo modelo de gestão orientado por dados e prevenção. A integração entre órgãos ampliou a capacidade de resposta institucional.
O perfil das vítimas revela maior incidência de violência entre jovens, pessoas com menor escolaridade e, de forma desproporcional, mulheres trans e travestis. Esse cenário reforça a necessidade de políticas intersetoriais que integrem proteção, cidadania e promoção de direitos.
ATENDIMENTO SOCIAL
O Centro Estadual de Referência LGBT+ Thina Rodrigues e a Unidade Móvel Dandara Ketlely realizaram mais de 6 mil atendimentos entre 2023 e 2025. Os serviços incluíram apoio psicossocial, orientações jurídicas e encaminhamentos para a rede pública estadual.
A inauguração da Unidade Móvel Dandara Ketlely, em dezembro de 2024, ampliou o acesso à informação e contribuiu para a interiorização das ações de proteção. A presença itinerante facilitou o atendimento de populações em situação de vulnerabilidade.
Mais de 70% das pessoas atendidas eram trans ou travestis, negras e jovens em contexto de vulnerabilidade social. Os dados demonstram impacto positivo de políticas direcionadas às populações que mais precisam.
A redução dos crimes violentos contra pessoas trans e travestis, entre 2023 e 2025, alcançou 58%. O resultado reforça a importância de políticas públicas específicas e monitoramento contínuo.
RESULTADOS
“Os dados mostram que enfrentar a LGBTfobia com seriedade, transparência e políticas públicas integradas salva vidas. A redução de 43% nos assassinatos de pessoas LGBTI+ no Ceará é resultado direto de uma gestão que investe em informação qualificada, articulação institucional e presença nos territórios. Quando o Estado rompe com o apagamento histórico dessas violências, combate a subnotificação e atua de forma preventiva, ele protege quem historicamente foi invisibilizado. Nosso compromisso é seguir transformando dados em cuidado, proteção e cidadania para quem mais precisa”, afirma Mitchelle Meira.
A integração de ações de cidadania, proteção e promoção de direitos consolida um modelo de gestão pública que transforma dados em prevenção. A iniciativa envolve desde a capacitação de agentes públicos até programas de empregabilidade e articulação federativa.
Os resultados já são mensuráveis e reforçam que visibilidade, investimento institucional e políticas públicas integradas salvam vidas. Uma gestão comprometida com a população LGBTQIAPN+ contribui para a construção de um futuro mais justo.
