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Março Amarelo: até 50% das mulheres com infertilidade podem ter endometriose, alerta médico

Doença atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo a OMS, e é uma das principais causas de dificuldade para engravidar.
O ginecologista Evangelista Torquato reforça a importância do diagnóstico precoce para melhorar a qualidade de vida das mulheres. (Foto: Divulgação / Sollirium)

Nem todo mundo sabe, mas o mês de março também é dedicado à conscientização sobre a endometriose, doença que está por trás de até metade dos casos de infertilidade feminina. Silenciosamente, milhões de mulheres são afetadas e sofrem com a desinformação e a identificação tardia de sua condição de saúde.

É por isso que surgiu o Março Amarelo, campanha global que é celebrada anualmente para alertar sobre a doença, combater a normalização da dor pélvica e incentivar o diagnóstico precoce e tratamento adequado. A iniciativa visa informar sobre sintomas e melhorar a qualidade de vida das mulheres.

Dados preocupantes

Estimativas científicas indicam que entre 30% e 50% das mulheres que enfrentam dificuldade para engravidar convivem com a condição, muitas vezes sem saber.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a endometriose afeta aproximadamente 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva em todo o mundo, o que representa mais de 190 milhões de pessoas globalmente. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que milhões de mulheres convivam com a doença, que é considerada crônica, inflamatória e progressiva.

O que é a endometriose?

Caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, a endometriose pode atingir ovários, trompas, bexiga e intestino. Esse processo provoca inflamação persistente, formação de aderências e alterações anatômicas que comprometem o funcionamento do sistema reprodutivo.

“A endometriose pode comprometer a qualidade dos óvulos, prejudicar o funcionamento das trompas e alterar o ambiente uterino necessário para a implantação do embrião. Em estágios mais avançados, as aderências dificultam o encontro entre óvulo e espermatozoide, reduzindo significativamente as chances de gestação espontânea”, explica o ginecologista Evangelista Torquato, referência em reprodução humana.

O desafio, segundo especialistas, é que a doença pode levar muito tempo para ser diagnosticada. Muitas mulheres normalizam cólicas intensas, dores durante a relação sexual e desconfortos pélvicos recorrentes. A literatura médica aponta que o tempo médio entre os primeiros sintomas e o diagnóstico pode ultrapassar sete anos.

Esse cenário se torna ainda mais delicado diante do adiamento da maternidade. Com a decisão de engravidar ocorrendo cada vez mais após os 30 ou 35 anos, fase em que a reserva ovariana já começa a diminuir naturalmente, a presença da endometriose pode potencializar a dificuldade reprodutiva.

“A dor incapacitante não é normal. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as chances de preservar a fertilidade e planejar a gestação de forma estratégica. Hoje contamos com tratamentos clínicos, cirúrgicos e técnicas de reprodução assistida que ampliam as possibilidades de gravidez”, completa Torquato.

Além dos impactos físicos, a doença também carrega consequências emocionais relevantes. A combinação entre dor crônica e dificuldade para engravidar pode gerar ansiedade, estresse e sofrimento psicológico, exigindo acompanhamento multidisciplinar.

Nesse contexto, especialistas reforçam que informação é ferramenta de prevenção. Reconhecer os sinais precoces, buscar avaliação médica e compreender as opções de tratamento são passos fundamentais para reduzir os impactos da endometriose na qualidade de vida e no projeto reprodutivo das mulheres.